08/06/2009

ENCONTRANDO

Imagem pega de Lost Horizons, um site bem estranho, mas foi o único lugar onde achei uma imagem que não fosse "arroz de festa" do filme.

Dando continuidade às eletrizantes sessões de cinema, foi a vez de Em Busca da Terra do Nunca. Não, o diretor não é Tim Burton, como a inteligente aqui pensava ao comprar o filme por quinzão nas americanas. Mas zuzo bem, aliás nem tudo que o Tim Burton toca vira ouro.

O filme com Johnny Depp, Kate Winslet, Dustin Hoffman e Julie Cristie conseguiu o que estava parecendo difícil: me prender à tela! Uh, e não precisa ser cabeça para isso! Basta botar um pouco de colorido nas coisas.

Umas crianças, não muita complicação, figurinos de época... O filma não descamba para aquelas coisas fantasiosas que me irritam, tipo Estória sem Fim (nem sei se me irrita, pois nunca ocnsegui ver o fim), e nem é tão melodramádico a ponto de ser óbvio, embora eu deva admitir que ele explora um pouco algumas situações um poucos piegas, sim.

Mas ele apenas sinaliza a questão da imaginação, não fica pregando um mundo cor de rosa, um mundo de mentiras. Ah, e também, em alguma hora a gente tem que ser leve, né? Se não for nessa hora, vendo aquelas árvores maravilhosas, o sol e a alegria das crianças, quando vai ser?

Eu nem acho o Johnny Depp essas coisas. Talvez ele seja tão bom ator que por isso mesmo eu não o note. Agora, a Winslet, essa sim, que olhar sofredor ela tem, hein? Não conseguia esquecer dela em "O Leitor"!

Não tem quem resista àquelas crianças, ah, isso não tem! O que é o Peter Llevelyn Davies, pelamordedeus? Queria crescer logo, pois aquela vida de criança não tava bolinho para ele não!

Enquanto isso, tantos adultescentes por aí... O mistério é poder equilibrar...

06/06/2009

OS FABULOSOS QUEM?

Cartaz encontrado em de This Distractet Globe. Para link dos filmes, eu quase sempre coloco para filmes como referência a Wikipédia, apesar de saber das suas deficiências, porque eu não me adapto ao IMDB, que é chique, coisa e tals, mas eu acho chato.


Nesses findis suuuper agitados, em que tenho promovido sessões de cinema emocionantes para mim mesma, assisti Susie e os Baker Boys, com Michelle Pfeiffer, Jeff Bridges e Beau Bridges.

Devo dizer que a-m-o a Michelle Pfeiffer, o que já é um bom começo para um filme. Não sabia que o Jeff Bridges tinha um irmão, Beau. No filme, os dois são músicos, e Michelle, a cantora que a partir de um dado momento os acompanha.

Gosto dessa coisa da estrada, das turnês, de ver como o filme contou como o cotidiano pode matar o talento das pessoas - ou como elas podem sobreviver a ele.

Há uns anos atrás, talvez o que mais me prendesse na estória fosse o caso amoroso entre Susie Diamond e Jack Baker. Os dois já são bem calejados, e sabem que as coisas geralmente não dão certo.

Mas na verdade, o que me chamou a atenção foi a relação dos dois irmãos. Desde o começo fica nítido que um é o artista, o cool, o bonitão, inclusive. O outro é o mais pentelho, o que aguenta mandos e desmandos dos caras dos bares onde tocam, o cara certinho que tem uma família o esperando todas a noites depois do show.

Os dois irmãos tocam juntos desde a infância, mas aquela rotina de shows aprisiona o Jack, o talentoso, o cool. Eu passei o filme todo achando o Frank chato, só que num diálogo ele fala umas verdades para Jack e ai meu Deus!

Porque na real, Jack, Tatiana e todos os reclamões da vida (se bem que o Jack nem reclama tanto, eu já teria chutado o balde há mais tempo e ido à luta - ainda mais se fosse talentosa e bonitona como o Jack era.. Ih, Tatiana, pare de se projetar!), sim, na real é bem cômodo ficar posando de cool e ficar fora da realidade.

Só que as contas para pagar continuam, as pessoas que dependem da gente continuam, o mundo ao redor continua. Me lembrei muito da minha mãe com o diálogo visto e lembrei até da dita "governabilidade" do governo (eca, eca, eca) Lula.

Achei que no filme eles acharam um bom modo de cortar a interdependência que tinham. É um filme bonito, do tipo dos que gosto.

29/05/2009

DÁ-LHE BAHIIIIIIIA!

Mapa chumbregado de Mapas SOS Mata Atlântica. Vai lá que vc vê direitinho.

Triste Bahia

Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.

A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.

Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!

Gregório de Mattos


No último dia 26, a Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o INPE, divulgou o resultado do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica no período 2005-2008. Foram apresentados dados de 10 dos 17 estados onde o bioma ocorre, sendo que nos estados mapeados, todos os municípios foram levantados.

Os resultados? Ah, são resultados das ações realizadas, não poderia ser diferente, né? 103 mil hectares de desmatamento. Não sei qual a minha reação perante isso. Não é de surpresa. Ainda consigo me indignar, sim. Ainda consigo ter uma reação de revolta.

Sim, eu sei, a revolta não é um sentimento salutar, é bem melhor ser uma pessoa tranquila, zen, ter forças positivas para construir um panorama favorável, mas puta que pariu! Só uns bons palavrões mesmo para exprimir o que sinto. É infantilidade? Ah, que bom que me sobram arroubos da juventude! E não sou mais uma funcionariazinha pública acomodada ou me fingindo de engajada mas na verdade altamente comprometida com as negociatas que constróem esse índice inaceitável de desmatamento.

Campeões de um ranking altamente vergonhoso: os estados de Minas Gerais, Santa Catarina e ... tchan tchan tchan tchan... Bahia! Lá vem a Bahia, minha gente! Sorria, vc está na Bahia! Sobre Minas, eu não posso falar nadica, não tenho informação alguma, só que o IEF libera desmatamento de 6.000ha (ooops, isso foi um empreendedor que me disse, e em empreendedor a gente nunca pode confiar, sabe como é!).

Sobre a Santa e Bela Catarina, coitadinha, todo mundo sabe o qual é o babado. As enchentes não aconteceram a toa, e mesmo assim os deputados catarinenses aprovaram um código antiflorestal e claro, inconstitucional.

Agora, e na Baêa? Na triste Bahia, ó quão dessemelhante? Foram perdidos 24.148ha nesse período. Sinceramente, acho que tem alguém brincando. E não sou eu. As pessoas suam, passam anos e anos tentando implementar unidades de conservação de dez, doze mil hectares. E em três anos o Estado perde 24 mil hectares.

Os resultados do Atlas mostram apenas fatos. Mostram a opção de políticas públicas do Estado. Seria um ponto de partida, se a Baêa tivesse interesse ou ferramentas para fazer alguns contrapontos:

- Qual a relação entre área desmatada e área de unidades de conservação estaduais criadas? Ou com a questão fundiária regularizada? (Plano de Manejo criado ou revisados e implementação de conselhos nem sei se conta, porque é manutenção).

- Qual a relação entre autorização de supressão e a área desmatada?

- De que forma a expansão do carvão no sudoeste baiano contribuiu para a presença dos municípios que alcançaram o maior índice de desmatamento no Atlas?

Tipo: dããããr. São perguntas básicas. Respostas que já deveriam estar prontas, a todo momento, num monitoramento que se preze. Monitorar é não deixar a coisa acontecer. Estou falando isso em nível estadual. Não esperar a coisa ficar feia e oh, meu Deus, fomos surpeendidos com uma notícia muito, muito ruim, que ninguém esperava. Não sabemos como aconteceu e agora estamos nos reunindo para fazer um Pacto para a Mata Atlântica.

Nessas horas pareço pessimista. E realmente, não quero ser. Tem que se restaurar, sim! Aliás, existem duas, ou três coisas para ser fazer: conservar o que ainda existe, recompor o que foi detonado e ordenar o uso. Simples, muito simples. Bastavam as pessoas não se renderem à compatibilização de interesses.

Porque na verdade eles não compatibilizam os interesses dos segmentos da sociedade que em tese representam. Eles tentam compatibilizar os interesses dos que podem influenciar de maneiras diferentes na manutenção da estrutura do poder. Na manutenção deles, obviamente. Deles quem? Oras, dos que estão lá, dos primeiro ao enésimo escalão.

Então, ainda acredito, e realmente, me emociono com iniciativas concretas de qualquer natureza para reverter o terrível dano que o ser humano faz a si mesmo, seja sob o ponto de vista ambiental, social, econômico, ético ou quaisquer outros dos inúmeros outros. Sou bastante crédula, sobretudo esperançosa. Mas idiota, não dá para ser.

Acho que precisamos, sim, de um Pacto para a Restauração da Mata Atlântica. A proposta do Pacto é séria, tem nomes respeitáveis. Mas, ao menos no Estado da Bahia, precisamos de mais seriedade. Sabe em qual cerimônia as entidades baianas vão aderir ao Pacto? No Dia da Mata Atlântica - Perspectivas para a Bahia, que acontece hoje, na Casa do Comércio, em Salvador. O cartaz é bem bonito.

Mas a notícia do evento no Portal Seia, desatualizadíssimo, por sinal, tira a vontade de qualquer cristão de comparecer. É tanta autoridade, tanto projeto, tanta coisa que a gente já ouviu, que sinceramente... alguém vai falar sobre as políticas públicas que têm se mostrado completamente ineficiente no sentido da restauração? Concordo que em muitos casos não adianta chorar sobre o leite derramado e a gente tem que partir logo para a ação, mas nesse caso é diferente. A ação não acontece, passam-se anos e anos de gente e organizações pongando nos projetos e falando que vão acontecer.

As autoridades vão, mais uma vez, falar disso, e deixar de lado o escândalo dos números recém publicados do desmatamento? Ou vão falar das graaaandes iniciativas artísticas de restauração que só o Estado da Bahia consegue?

Voltando ao início da minha conversa, aproveitando taaaaanta gente boa reunida, alguém vai estar perplexo com os números da Bahia, o Estado que paga o salário deles (e o meu), e do qual eles são representantes e têm o dever de falar? Não, não, vai estar todo mundo suuuper interessado em fazer lobbys, bons contatos, aparecer bem na fita com os caras do ministério, falar bem sobre os não sei quantos mil hectares que serão restaurados (eu espero, sinceramente que sim, não que eu não espere, mas isso não me faz ir ao evento e ver rostos que eu estou cansada de ver, ouvir palavras que há anos ouço).

Sorry pelo meu densânimo. Notícias cotidianas, como saber que meus chefes não deixaram de cumprimentar só a mim, não ajudam. Hahaha, enquanto era comigo, zuzo bem, porque eu sou "problem" mesmo. Mas os caras não falam com outras pessoas tb. Eu achava que os chefes tinham outras coisas para se preocupar do que com a peãozada.

Com as multas que eles sugerem para a gente suspender, por exemplo. Afinal, eles não gostam quando recebem visitas do assessor do governador. Ficam brabinhos. Acho que eles se esquecem que essas multas que damos têm correlação direta com o índice de desmatamento do Estado.

Ah, coitados, a gente não os entende, né? São tão ocupados!

24/05/2009

CHATÓFORO

Foto de Adoro Cinema

Coitado do Chico Buarque. Fizeram um filme muito ruim do livro dele. Tá certo que eu não li o livro, mas o filme é muito, muito ruim.

Talvez se o livro fosse também ruim, houvesse toda uma aura do Chico me impedindo de ver isso. Mas tem aquela coisa dos livros, de deixar nossa imaginação correr solta pela narrativa. O filme não, dá a cara das coisas, o jeito dos personagens, as cores das cidades.

E é assim que começa Budapeste. Com uma belíssima imagem da cidade, o narrador contando para a gente que, ao contrário do que pensara, Budapeste não é cinza. Nossa, penso eu, vai ser um filme fantástico. Oh, como sou uma pessoa crédula! Cusp, cusp, como fui desgostando do personagem central. Talvez, se eu estivesse lendo-o, ao invés de vendo-o, eu nem desgostasse tanto, mas vê-lo realmente esgotou a minha paciência.

Não posso ter empatia alguma com um tipo fracassado e sem emoção. Talvez no livro esteja presente algum dilema, mas no filme ele simplesmente passava pelos fatos, não me transparecia paixão alguma pelo que fazia, nem tormenta alguma pelas dificuldades. E as pessoas, as mulheres, jovens e bonitas demais para ele, diga-se de passagem, me pareceram peças, coadjuvantes.

Ora, me dirá algum senhor metido a intelectual que se identifique com o personagem, ele teve alguns rompantes exatamente em função das mulheres. Não, ele teve rompantes - indicativos do seu modo totalmente tosco de lidar com suas inabilidades - em função do seu orgulho. Não do outro, mas dele mesmo.

E também, depois de "Clube da Luta" tudo fica brincadeira de criança no campo "o que será que aconteceu?". Enfim, achei tedioso, várias vezes me lembrei tanto do Clube da Luta como do "Livro de Cabeceira". Será que as pessoas ficam chocadas de ver o Chico tratando de temas menos nobres?

Ah, tem a questão da língua, que não me comoveu. Achei que conheci pouco da Hungria, e ficou claro que esse não era o propósito do filme, mas achei interessantes as paisagens, a cena dos músicos, as ruas.

E o contraste com a praia do Rio! Esse deu a sensação que a gente tem quando viaja de um lugar para o outro. Agora, existem coisas que são fracas, muito fracas, como o samba cantado em húngaro. Filmezinho chumbrega! E vem cá, o que é aquele ator de mais de 50 anos de idade pegando a Giovanna Antonelli, a Paola Oliveira e a atriz húngara, que não por acaso é linda?

Porque não botar no elenco mulheres imperfeitas esteticamente como ele? E da faixa etária dele? Ou então, porque não colocar como protagonista um bonitão como as moçoilas? É machismo siiiim! E eu não digo porque eu não goste de mais velhos, todo mundo sabe que são meus preferidos, só acho que as coisas têm que ser igualitárias.

Então, o fracassado é o bambambam! A Giovanna Antonelli está num dos seus primeiros papéis como uma mulher madura. Num dos primeiros que eu vejo, porque graças a Deus eu não acompanho a carreira dela. Agora, a húngara se interessando por ele é realmente demais! Tão óbvio que vai acontecer, e tão inverossímel, ao menos na pele daquele ator inconsistente...

Como eu disse, coitado do Chico Buarque, que aparece no final do filme. Eu acho que ele teve vergonha de aparecer num filme tão ruim. Me deu a impressão que estava com um sorriso meio amarelo.

19/05/2009

BONDADE

Impacto? Que impacto? Foto de Usina Hidrelétrica no município de Valença, Bahia. 2003.


Lula reduz valor pago por impacto ambiental


Decreto do presidente Lula reduziu o valor da compensação ambiental a ser pago por empreendimentos, como a construção de rodovias e hidrelétricas, por seus impactos no meio ambiente. A nova regra prevê um teto para a cobrança - de 0,5% sobre uma parcela do valor da obra. O valor está bem aquém do percentual proposto pelo Ministério do Meio Ambiente. Antes, o piso da compensação era de 0,5% sobre o valor total da obra, e o MMA advogou aumentar para 2%. O teto de 0,5% não se aplica mais sobre o valor total do empreendimento. O cálculo passou a descontar do valor total do empreendimento os custos do licenciamento ambiental e da mitigação de impactos sobre o meio ambiente, assim como os custos financeiros - FSP, 19/5, Brasil, p.A7.

Fonte: ISA


Pronto, gente! Agora sim, todo mundo fica tranquilo porque sobra o troco no caixa para as eleições!

03/05/2009

COM FIM


O vendedor já indo embora do bus

No mesmo ônibus, outro vendedor, vendendo "Hallis" (Halls) em diversos sabores, no prazo de validade, pessoal! Todo mundo aqui chama Halls de Hallis.

Mais um deles.

Esse vendia "picolé de fruta"

Minutos mais tarde: esse era mal educado e não gostou de ser fotografado, acho que queria uma gorjeta.

Tive que aguentá-lo dançar pagode e cantar "rala a **** no asfalto". A classe das pessoas é assombrosa!

Que eu sou uma peoa e ando de buzú não é novidade. A novidade é que eu não vou mais andar em pouco, pouquíssimo tempo. Mas quando eu nem imaginava que isso seria uma realidade tão próxima, um pouco antes de viajar de férias para Curitiba, eu fiz essas fotos, já com a paciência estourando com tantos vendedores que entram pela porta dianteira dos coletivos nesta grande, maravilhosa e organizada cidade da São Salvador.

Aqui, entramos pela porta de trás e os que têm isenção de tarifa pela porta de frente, para ficar apinhando quando a gente quer descer. Por que não dão um cartão de isento para eles passarem na roleta, como em Curitiba? Lá se entra pela frente e os ônibus têm uma porta no meio, assim se o ônibus tá cheio a pessoa não precisa fazer a via sacra até o final dele. Em Salvador, os poucos ônibus que têm a porta do meio não a utilizam.

Mas fora os isentos de passagem, quem entra, e muito, pela porta da frente são os vendedores. A Prefeitura de Salvador resolveu organizá-los, dando-lhes um uniforme. Eu já vi um passar o uniforme para outro, mas na verdade isso não importa, pois entram desuniformizados tb. O fato é que com a "legalização" o número de vendedores nos ônibus, legais ou não, aumentou vertiginosamente.

Existem viagens em que entram mais que quatro vendedores, sem exageros. Quando o ônibus para em frente a lugares de grande movimento, como o Shopping Iguatemi, é uma profusão de vendedores, uma verdadeira batalha! Tem de tudo: água gelada, caneta automática quatro cores e para CDs, cartilhas educativas, quebra-cabeça, kit para costura, balas e guloseimas em geral e mais uma dezena de artigos inusitados.

Peculiar tb é a forma de venda. Existem desde os que dão agonia e vontade de sumir, compartilhando com vc as desgraças pessoais e usando a tática da culpa social para tentar alavancar as vendas, até os bem humorados e os que parecem recém saídos de uma escola de marketing. Existem os que usam as vendas para levar as palavras de Deus, existem os que falam tão baixo e para dentro que terão que penar muito para vender algo. Existem os insistentes, que apesar de ninguém fazer menção de comprar nada, continuam repetindo, repetindo, repetindo.

E o mantra ecoa na cabeça da gente: "boa tarde, pessoal! Desculpe estar incomodando a viagem de vcs, mas estou vendendo _______ (deliciosos, práticos, divertidos) ___________ (amendoins, canetas, passatempos)"... E por aí vai.

Às vezes eu nem escuto, às vezes me dá vontade de falar: "mas de novo? Acabou de sair um vendendo isso agorinha!", às vezes me dá simplesmente vontade de tapar os ouvidos. Numa cidade séria, isso não acontece, os formuladores de políticas públicas pensam em outras formas de dar alternativas para essa gente produzir meios de sobrevivência. Péra, péra. Eu falei séria? Isso existe no Brasil? Estou querendo demais, né? Menos avacalhada, digamos!


01/05/2009

PALAVRA CHATA

Nem o Chico, maravilhoso, conseguiu salvar o filme. Foto do site da chatice ambulante

Fui ver Palavra Encantada. Não tinha lido nada sobre o filme nem ouvido falar sobre ele e o convite veio de sopetão, no trabalho. O filme se propõe a abordar a relação entre música e poesia na música brasileira, com depoimentos de Chico Buarque, Maira Bethânia, BNegão, Adriana Calcanhotto, Jorge Mautner, Ferrez, Zé Celso, Paulo César Pinheiro, Luiz Tatit.

O chato é que aí vc tem que aguentar Antônio Cícero, Lenine, Zélia Duncan, Zeca Baleiro, Martinho da Vila, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Arnaldo Antunes e José Miguel Wisnik, além da péssima luz das entevistas. E ainda por cima uns trechos de clips das artistas, parecendo uma coisa educativa, para burro ver. Tipo olha, estou falando disso aqui, que vc, burro, nunca viu, nem tem discernimento para saber se gosta ou não.

E isso cai como uma luva para a platéia de Salvador. Desculpem, mas ou eu levo muito azar ou é verdade. Seguinte, cinema é um lugar onde a gente entre para ver filme, e não para conversar. Quer conversar, fica vendo novela em casa. A galera a-do-ra ficar comentando qualquer coisinha, deve se achar inteligente por estar entendendo o que o Chico Buarque diz. Ou então o que aquele poço de inteligência, o Lenine, balbucia.

E o coitado do Tom Zé não pode aparecer na tela que começam a gargalhar. Se eu gosto ou não gosto do Tom Zé, é outra história, mas eu acho que antes de tudo, tem que se ouvir o que o cara tá dizendo. E o que ele disse de Caymmi foi bonito, reverencial. Não foi engraçado. Mas as antas riem. Eu tive que fazer força para não sair do cinema, na verdade não saí porque minhas amigas iam achar que eu estava mal humorada. E antes de começar o filme, eu não estava.

E eu nem estava num cinema de shopping. Estava numa sala de circuito de arte, com pessoas que se dizem intelectualizadas. Sinceramente, eu devia ter vindo embora para casa. Amo o Chico, mas ele não me disse nenhuma novidade. Gostei só de ver como era a casa de todo mundo. E ver que um verdinho dá uma paz no ambiente.

Agora, alguém me diz como podem fazer um filme tão ruim apesar de ter tanta gente boa no roteiro?

29/04/2009

ATÉ TU?

Mendigos em Curitiba? Sim, estamos no Brasil baby! Na porta do Teatro Guarinha, para ser mais exata.
Disk putas. Vc vai telefonar e as bundas caem sobre vc.
Em compensação, cartazes lindos na galeria do TUC (Teatro Universitário de Curitiba).

E a porta do TUC, o que é isso? Liiinda!
Eu acho que já vi isso em algum lugar, mas de todo modo é linda!

Curitiba é uma cidade maravilhosa para se morar, mas está longe de ser a perfeição apregoada aos quatro ventos. Existem, desde sempre, muitos mendigos pelas ruas, ao contrário do que possa se pensar. O que não existe é a desorganização total, o mangue, gente vendendo coisa aqui e ali, lixo nas áreas mais "nobres" da cidade, como existe em Salvador, em qualquer canto.

Existe periferia, e como sempre uma periferia que não é ouvida e que sequer conhecemos. Mas estou falando do Centro, do Centrão por onde eu sempre andei para ir ao cursinho, para pegar o bus de volta para casa, para comprar as linhas nos armarinhos para a minha mãe, para resolver as coisas na cidade e, principalmente, para ir aos bares.

Andando nos ônibus e pelas ruas, vejo que Curitiba não é uma cidade de loiros de olhos azuis, como eu achava que era qdo eu morava lá. Eu me achava diferente, por ter o cabelo crespo, não ter sobrenome de polaco e nem comer salsichón.

Hoje vejo que Curitiba é muito mais que isso. Curitiba é mestiça, o Paraná é mestiço. Há um traço muito forte indígena, chamado pejorativamente de "bugre", meio puxando para o pantaneiro até. Talvez daí venha minha parte bocão e cabelão, que é da família do meu pai, que é do interior do Paraná (minha vó era bem cabocla, fumava cigarro de palha).

Só sei que qdo estou em Curitiba, eu não me sinto estranha, sinto que minha cara, seja ela de russa, de polaca ou seja do que for, é mais igual por lá. Mas por aqui em Salvador eu tb não me acho mais estranha por ser branquela. Nem por todo mundo perguntar a toda hora se eu não sou daqui. Acho que eu me achava estranha em qualquer lugar antes, menos num show de rock, uha!

03/04/2009

INDEPENDENTE FUTEBOL CLUBE

Programação do Curitiba Calling no sempre necessário 92: 40 bandas em 3 dias

No Chinasky Bar: Alani, Luana, eu e Marize, esta última a quem eu não vai seguramente há mais de 20 anos (mas não espalha para ninguém!)

No 92, mais um encontro de mais de 20 anos: Tupan. não mudou nadica! A Luana não sai do meu lado, para variar, hahaha

Riot Revolver, banda onde tocam dois filhos do Tupan. Achei um a cara e o jeito dele e o outro a cara da Débora, a mãe.

Cut cut. Já são homens feitos, mas para mim serão sempre os meus dois amorzinhos de meninos: Vlad e Gemano, não são lindinhos? Ai que saudades de quando eles eram umas criancinhas nos anos 90. Fiquei muito feliz de encontrá-los, tão bem, super humildes como sempre. Admiro esses dois para cacete! Babo ovo messsssssmo!

Punkake, banda só de meninas.

Fui a dois dias do Curitiba Calling. Acho importantíssimo Curitiba ter se firmado como uma cidade rock, e sinto orgulho de ter amigos que batalharam e continuam batalhando por isso. Lembro de como eu ficava feliz por ter um lugar como o 92 para ir, quando ele era ainda na Visconde do Rio Branco, e como eu agradecia, emocionada (e bêbada) ao Júnior por ele ter garra para manter o lugar aberto, não obstante todas as guerras de alvará com a prefeitura, as reclamações dos vizinhos e as agruras próprias do negócio, como investir em bandas desconhecidas, bancar festivais, trazer bandas gringas e ter um selo.

Mas decididamente eu não tenho mais paciência para fazer parte de tudo isso como expectadora. Acho chato ir aos shows, acho velho ver um monte de gente com os mesmos comportamentos. Ai, que coisa chata repetir as mesmas coisas de 15, 20 anos atrás! Claro, eu gostei porque marquei de me encontrar com pessoas que não via há muito tempo, e não as censuro, ao contrário, as admiro por estarem no circuito. Mas para elas faz sentido, é a profissão delas, elas estão trabalhando e mais que isso, formando um cenário cultural pelo qual elas batalharam anos (décadas). E percebi que as que tocam vão embora logo após o show (tb, né, têm 40 anos nas costas e não foram para a balada, foram trabalhar).

O que me deixa sem saco é aquele ambiente enfumaçado, as pessoas bebendo uma cerveja atrás da outra, dançando um pouco autômatas, é algo que não faz sentido mais para mim. É uma alegria um pouco débil, eu de certa forma me enxergo e me vejo há cinco, dez anos atrás, de certa forma me vejo como fui a vida inteira e não me encaixo mais nesse padrão.

Acho aborrecido ter que gritar para ser ouvida, ter que pedir para a outra pessoa repetir o que acabou de falar para que eu a entenda. Ter que ficar em pé a noite inteira. Ter a bebida servida num copo plástico. Olhar em volta e ver um monte de gente com camiseta de banda. Cara, alguém tem alguma novidade para me apresentar?

Falando em novidades, o Norberto sempre apresenta alguma. Pena que no dia do show dele eu estivesse tão desanimada e quisesse ir embora tão rapidamente. Não tirei nenhuma foto do Easy Players, mas a banda é maravilhosamente intimista. Só achei que eles estavam no lugar errado, que as pessoas estavam muito mais interessadas em ingerir fumaça e álcool e ficar no blábláblá com suas conversinhas moles e bêbadas, ao invés de se concentrarem verdadeiramente na banda. Deve ser chatice minha. Mas eu achei que num outro lugar ou com um outro público eles causariam mais impacto. Que seria merecido.

A camisa do Norberto era algo entre o quadriculado e o calçadão de Copacabana. Eu nunca havia pensado numa transição entre as duas coisas.

Tive tanto sono nesse primeiro dia de Festival que só fui no segundo não porque já tinha comprado os ingressos antecipadamente (até para a Luana, que recusou a cortesia sem dó nem piedade), mas porque eu já havia combinado com a Marize, e não se fura trato feito com amiga).

O rock continua bom, eu tb, mas não precisamos estar necessariamente colados. Isso é um relação moderna, baby!

28/03/2009

VÁ E ME CHAME

Ingressos da peça

Vista de um pedaço do MOM

Nessas férias, estou aproveitando para conferir algumas peças do Festival de Curitiba. Logo que cheguei fui ao Müeller comprar os ingressos, e as poucas peças da mostra oficial que eu gostaria de ver não tinham datas disponíveis com o meu calendário de TIA (sim, sou tia de um bebê lindo, mas isso fica para outro post).

Peguei a revista com a extensa programação e comecei a analisar o cruzamento de datas e horários, lembrando de um amigo de uma amiga (não conheço o cara pessoalmente, mas deve ser uma figura!) que faz planilhas no Excel quando participa de Mostras de Cinema, tipo vê seis filmes por dia.

O burbirinho lá na fila do Müeller estava grande. Logo de cara, aquela constatação: "nooooossa, como Curitiba é moderna!". Mas depois, passa e fica normal. Principalmente após uma olhada mais apurada na programação do Festival. Monólogo com Marília Gabriela? Comédias com "atrizes" do Zorra Total? Ter povo indo ao teatro é legal, mas não significa necessariamente que esse pessoal está indo ver coisas boas.

Gostaria de ver "Calígula", pelo texto e tb para agradar minha mãe, que AMA o Thiago Lacerda (risos), "O Zoológico de Vidro", porque acho que Tenesse Willians é satisfação garantida e gosto da Cássia Kiss, e tb gostaria de ter visto "Rainhas", com a Julia Lemmertz, se bem que parece que deu um chabu pela duração de 4 horas da peça.

Mas no Fringe, acabei escolhendo os dramas (oh, que novidade!) para ver com mamacita. Minha tendência é escolher clássicos, por mais que algumas sinopses me atraiam. Mas a gente nunca sabe o que vai encontrar pela frente. E percebi que o Fringe e até mesmo a Mostra têm isso, muito número e não exatamente o mesmo em qualidade.

Maíra, minha irmã que é atriz, já veio para o Fringe produzindo uma peça e falou que no Fringe o povo vem bancando o seu, então quanto mais gente vier, melhor. O que interessa para a produção é o número de inscritos, eles querem ter essa marca, de muitas peças participantes.

A primeira peça que fui ver foi "Fala Comigo Como a Chuva". Texto de Tenesse Willians, dois atores no palco. Trilha sonora escolhida a dedo, com músicas antigas francesas, alemãs. Os atores, muito bons. Na medida certa. Passam o que todos nós já sentimos numa relação a dois. Sacadas do cenário e do figurino fenomenais, atemporais, clássicas e profundamente vanguardistas ao mesmo tempo. Gostei muito da peça, se pudesse ver outras da Companhia, conhecer mais dos atores e da diretora, iria a fundo.

No mesmo dia, fui ver "A Casa de Bernarda Alba", de Garcia Lorca. Foi um contraste, pois a peça tinha um lenco bem maior, dança e música ao vivo, era outro gênero de espetáculo. Os atores (as atrizes, melhor dizendo - o elenco é todo feminino) não me pareceram tão afinadas, embora de qualidade. Tinham algumas bem experientes, outras novinhas. Nenhuma fez feio. Gostei bastante do figurino e das soluções das danças, dos véus, aquela coisa bem austera do luto. A bengala da matriarca marcando o compasso percurssivo, uma coisa meio rodriguiana da tragédia anunciada quando a opressão e a moral são excessivamente rígidas.

Por mim, suprimiria sem dó nem piedade alguns trechinhos mais "engraçados". Achei um saaaaco! Sem graça total, e ainda tinha que ficar aguentando a platéia rir. Riem de quê, meu Deus do céu? Acho que banaliza, perde a verve. Tenho a impressão que fazem para que o público médio consiga digerir o amargor que é o texto.

Soy contra.

Uns dias depois, fui ver "2 de novembro". Não rolou, Bial. O texto tratava da relação mãe e filho e uma maneira meio superficial. Muita gente na platéia chorou, de soluçar. Eu tinha ovntade de lixar as unhas. Quer ver o que é drama de mãe e filho? Ligue djá, saímos comentando eu e mamãe querida (os mais chegados sabem beeeem do que eu falo). Não vira, uns dilemas de família classe média, com som de Roberto Carlos ao fundo, uma coisa kitsch demais.

"Nóis" só gosta se for drama bem di profundis mesmo.

Hoje vou ver "As Bruxas de Salém", e amanhã, "Camille Claudel".

26/02/2009

SALMORA

Passeio das Nove Ilhas
Visitando os manguezais pela Lagoa de Mundaú

Algumas ilhas são habitadas, e nessa tinha uns Pinus horrorosos! Quem plantou isso?
Numa delas, teve até criação de bodes e cabras, que o órgão ambiental, sabiamente, proibiu.


Um canalzinho lindo, onde só se entra em embarcações menores

O pescador, contando que no dia anterior achou um super cardume que lhe rendeu 47 kg de peixe. História de pescador?


A "cebola do mar", um tipo de água viva, mas que não queima.

No final do passeio, passagem sobre a ponte e o etenoduto da Braskem

Estragando a paisagem

Uma coisa que me causou assombro foi a fábrica da Braskem à beira-mar. Como pode, a região tradicionalmente mais nobre em todas as cidades, ser entregue de mão beijada para uma indústria? O que me chamou mais atenção foi o impacto visual, mas esse sem dúvida é só um dos múltiplos impactos associados ao empreendimento.

Quando voltei e fui pesquisar sobre o assunto, não deu outra. A Câmara de vereadores debateu o tema, mostrando-se favorável à relocação da indústria. Para mim, é o mínimo que deveria ser feito. Lugar de indústria é num Pólo Industrial, que preferencialmente tenha sido desenhado com todas as opções necessárias para garantir a saúde humana e do meio ambiente. E mais, eles devem sair de lá e continuar mantendo a área como um Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

Obviamente, com aquela localização, fica muito mais difícil de manter boas condições emergenciais. E, pelamordedeus, que privilégio é esse? Qualquer um vem e se instala como e onde quer? Sem regras, sem normas?

A "desculpa" para a instalação da indústria no local é o sal. Devido à extração do mineral, necessário para o processo de obtenção de cloro e soda, utilizado na fabricação do PVC da Braskem, os espertos acharam mais conveniente que a fábrica ficasse lá, pertinho das minas. A Braskem comprou a antiga fábrica denominada Salgema, mas a minas de sal já foram esgotadas, hoje ele extraem o mineral de outro canto, pelo que li.

Para processar o cloro, a Braskem utiliza o eteno, que vem por um etenoduto que tem cerca de 470 (quatrocentos e setenta!) km de extensão, ligando a fábrica de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, à de Maceió. Hã? Porque não fizeram esse etenoduto de maneira menos agressiva ao olhar, ao menos na zona urbana? Isso detona o potencial turístico, e mais ainda, o direito do morador da cidade conviver harmoniosamente com a paisagem.

E porque eu achei na pauta de uma reunião do CEPRAM de Alagoas a revisão da Licença de Operação do etenoduto? Sendo um empreendimento que está presente em mais de um Estado, o licenciamento compete ao IBAMA, e não aos órgãos estaduais de meio ambiente (isso me faz lembrar que os gênios da Bahia deram o nome de IMA ao antigo CRA, deixando o "novo" instituto com o nome idêntico ao de seu congênere alagoano. Mas isso já é outra história). Os órgãos estaduais, no caso de um empreendimento de impacto regional, podem agir de forma suplementar, apenas.

Outra questão é: precisa-se mesmo desse etenoduto? Existem outras opções para a obtenção do eteno, a partir do gás natural ou da fermentação do caldo de cana. Esta última opção é chamada de plástico verde, mas deve-se tb atentar para o impacto da monocultura que vem a reboque dos biocombustíveis.

De qualquer forma, o que se vê nesse caso não é novidade: favorecimento econômico (a Braskem é do grupo Odebrecht) e os cidadãos pagando a conta.

25/02/2009

VELA ABERTA

Ao embarcar na jangada, várias visões diferentes

Jangadas na areia, edifícios, o mar...

De um lado, os barcos de pesca

Do outro, as canoas

A lida de todo dia no mar

Abrindo a vela, trabalho duro

Depois de colocado o mastro tranversal, desamarrar a parte de cima

Trabalho pronto, partir para outra etapa.
Molhando o tecido, para que a trama fique mais resistente a não haja rompimento com o vento.

Lá no meio do mar, somente uma jangada

Pé no sargaço

Pé com pé

Estacionamento de jangadas

O cardápio

Um dos passeios que fizemos foi a ida às piscinas naturais de Pajuçara. Essa coisa de turismo de massa sempre me fez torcer o nariz. Quando me falaram que era uma delícia, vc ia para alto mar e encontrava as piscinas, onde era servida por garçons, eu pensei: vai dar merda, imagina um monte de gente no mar, comendo e bebendo? Para onde vai o lixo todo, será que existe algum estudo de impacto de carga, limitação para o número de visitantes?

Essas coisas fazem com que eu tenha um pouco mais de consciência crítica em relação ao senso comum, que se empanturra de cerveja, joga as latas não sei onde e fica feliz ouvindo música ruim. Mas tenho que ter cuidado para não virar cricri, para odiar tudo, reclamar de tudo e acabar ficando uma pessoa chata (admitindo-se que ainda tenho salvação, hahaha).

Então, acho que se deve buscar um equilíbrio entre o patrulhamento e a diversão, entre ser totalmente dotada de personalidade e não ter capacidade para aproveitar os momentos simples que a vida nos proporciona.

É um aprendizado, ao qual eu tenho me mostrado disposta, e que tem me rendido alegrias e serenidade. Muita presunção achar que vai mudar o mundo, né? A dicotomia da menina que foi punk aos 15 anos e a mulher de 40 que quer tranquilidade.

Como dizia o Sérgio Sampaio, não é vivendo que se aprende mas é vivendo que se aprende a viver.

NOVIDADE?


Andreazza entre ACM e Figueiredo: tutti buona gente.
Foto: Veja


Funai demitiu antropólogos por protestos durante a ditadura


No segundo semestre de 1980, um grupo de antropólogos e indigenistas da Funai rebelou-se contra a política oficial de "integração" dos índios à "sociedade nacional" e entregou uma carta de protesto ao então ministro do Interior, coronel Mário Andreazza. Além de pedir a substituição dos coronéis do Exército e da Aeronáutica que comandavam a Funai, os indigenistas protestavam contra a demissão de colegas ligados à nascente SBI (Sociedade Brasileira de Indigenistas). A reação foi imediata: 68 indigenistas, antropólogos e outros servidores foram demitidos "por justa causa" ou "indisciplina" nos dias seguintes. Os arquivos da ASI (Assessoria de Segurança e Informações), o braço do SNI na Funai, revela que os antropólogos eram acompanhados por arapongas meses antes da crise -
FSP, 25/2, Brasil, p.A5.
Fonte: ISA

Não fico surpresa, pois desde os dez anos de idade esse Mário Andreazza não me desce. O que se podia esperar de um cara que votou a favor do AI-5? Que desse um tapinha nas costas dos antropólogos e falasse: é isso aí mesmo, tá tudo muito esquisito? Ainda por cima, dá nome a um viaduto aqui em Salvador. Para quê ficar lembrando de sua existência?

Só se for para tentar fazer justiça a esses profissionais corajosos. Não vivemos mais na ditadura, mas esse tipo de retaliação no serviço público ainda é comum, infelizmente.

24/02/2009

MARTELO ALAGOANO


Fachada da Catedral de Maceió

Interior da Catedral

"Balcão" lateralInscrições
Detalhe da porta, em vinhático

Anexo da Assembléia Legislativa, visto da Catedral de Maceió


Painel em alumínio, com motivos regionais

Várias cenas que remetem ao folclore e paisagens alagoanos

A autoria do painel é de J Maciel, escultor pernambucano.

Fugindo do Carnaval, fui conhecer Maceió. A primeira capital do Nordeste que conheço, fora Salvador, e o primeiro Estado, fora a Bahia. No início, pensávamos apenas em dar uma descansada, ir para o Litoral Norte, ficar aqui pela Linha Verde mesmo.

Mas a galera não tem noção, colocou os preços de pousada lá em cima. Aí dá um aperto ao pensar em pagar o quádruplo do preço numa viagem que está à mão, que vc pode fazer em qualquer final de semana pagando bem menos. Outras opções? Chapada Diamantina, onde os preços tb estavam salgados, e para onde também se pode escapar em uma outra oportunidade.

Aí, A. sugeriu Aracaju. Comecei a conversar com o povo do trabalho e descobri que Aracaju é o "quintal" dos baianos. Só que já estava tudo lotado, mesmo 30 dias antes da data. Então veio a sugestão de Maceió, idéia que eu prontamente encampei.

Foram todas as delícias de planejar a viagem, de comprar (consumo, consumo!) as coisas que faltavam para compor um look praiano, de reservar hotel e passagem, de saber que finalmente eu ficaria dias e dias ao lado dele.

Foi tudo maravilhoso, calmo, tranquilo. Até mesmo pequenos choques de visões, que inevitavelmente temos, serviram para consolidar mais o nosso namoro, que fez aniversário de dois meses. Foi interessante perceber como nos comportamos em situações que poderiam gerar alguma crise (eu e os meus radicalismos, muitas vezes inevitáveis) e que, ao menos por ora, a vontade que temos de ficar juntos supera outros aspectos.

Chegamos em Maceió num dia nublado, que aproveitamos para fazer um tour pela cidade. Conhecemos a Catedral, alguns mirantes, fomos à Lagoa do Mundaú, ao Mercado de Artesanato... Passamos em alguns outros lugares que eu gostaria de conhecer, como o Museu Palácio Floriano Peixoto, mas acabamos não entrando, em decorrência de outras escolhas no roteiro.

Gostei muito do painel no anexo da Assembléia Legislativa, assim como gostei de ver uma faixa numa avenida da cidade, dizendo não aos Taturanas. Impossível esquecer que eu estava na terra do Fernandinho Cheira Pó, o mauricinho, o playboy ladrão das carteiras das velhinhas, o cara que nunca deveria ter voltado.

Queria ter ficado mais por dentro de algumas manifestações culturais como o Boi Bumbá e também ter visitado algum memorial sobre Zumbi dos Palmares. Certamente há muito mais para se ver na cidade do que o que foi visto, mas para o tempo que dispunhámos e para os propósitos que tínhamos, valeu.