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15/02/2016

DELICADEZA



Entro na sala do médico:

- Oi, Doutor.

Sempre sentado atrás do seu escudo, digo, escrivaninha, faz uma força muito grande para levantar sua cabeça por um minuto e me dar um desanimado aperto de mão: 

- Por que vc está aqui?

- Eu gostaria de fazer meus exames endocrinológicos, estou há algum tempo sem fazer.

- E porque vc acha que precisa?

- Minha mãe teve nódulos e retirou a tireóide. Desde então eu tenho recomendação para acompanhamento periódico.

- Ela teve câncer?

- Não, a biópsia não acusou malignidade.

- Mas então porque tiraram a tireóide?

- Pelo motivo que eu apontei, Doutor. 

- Mas quem recomendou a retirada? Foi um endócrino ou foi o cirurgião? Vc sabe que endócrino não faz cirurgia, né?

- Sim, doutor, eu sei que quem faz a cirurgia em várias especialidades não é necessariamente o médico que detectou a necessidade de cirurgia. Ela foi ao cirurgião encaminhada pela endócrino.

- E vc sabe o que estava escrito nessa biópsia? 

- Não me lembro, Doutor.

- Preciso que vc me traga o laudo.

- Doutor, essa cirurgia foi feita há cerca de 15 anos, eu acompanhei e participei de todo o processo mas eu realmente não sei entrar em detalhes e certamente não existe mais nenhuma documentação a respeito.

- Só se retira e tireóide se há câncer. Então eles retiraram a tireóide sem motivo, né?

- Não. Isto é você quem está dizendo, a partir das informações prestadas por mim. Além de discordar da sua inferência, eu não afirmei isso.

(Se esse neurótico soubesse que a cirurgia foi feita na Bahia, o grau de de preconceito e falta de ética dele iria às alturas. Apenas para registro, o Hospital da Cidade, onde minha mãe fez a cirurgia, nos atendeu de maneira exemplar e prima pela pesquisa científica em seu corpo médico)


Ali não volto mais.

02/10/2015

PAZ

Trilha sonora da manhã: mantras belíssimos por Vrndãvana Dasa. O conheci numa festa em Salvador há uns 10 anos. Os arranjos são bem simples e, talvez por isso, encantadores. Voz, violão, harmônico, coro, tabla e karatãlas. Capa simples, feita em casa. É muito amor, e o "Do it yourself" rolando desde sempre para quem acredita no que faz.

08/10/2013

...:PUBLIC IMAGE LTD:...

Fui subir umas fotos da infância e acabei me empolgando. É tão estranho ver minhas fotos de Salvador, principalmente de 2008 e 2009. Estilinho requintada, querendo ser a sofisticada, frequentando restaurantes e lojas que na verdade não têm NADA a ver comigo, nunca tiveram. 

Respeito isso porque em primeiro lugar eu respeito muito tudo que eu fiz (isso pode tb se chamar orgulho, não dar o braço a torcer admitindo o engano). Respeito também porque hoje consigo compreender que foi mais uma das inúmeras tentativas de sobreviver na cidade. Eu havia percebido que ser "eu mesma" não estava dando certo, então resolvi ser um "padrão" de mulher, modelinho "gostável". Essa fase teve lados positivos, como meu cuidado com o corpo, fazendo atividade física. Só que decididamente eu não sou das que se "encaixa" em algo.

Voltei ontem do Congresso de Visagismo em SP. Ainda vou escrever muito sobre isso, mas para mim é inegável que a imagem pessoal é carregada de significados. Entretanto, ela não DEFINE o indivíduo.

A gente pode ser tudo. Mas a melhor escolha ainda é sermos nós mesmos.

29/10/2012

...:ETE:...


Lamentável! O Caetano é uma vergonha completa, e Gil, quem sabe, terá um cargo na Secretaria de Cultura, para manter o esquema Ivete - Margarete - Chiclete.

28/10/2012

...:FÓRCEPS:...


A campanha, pelo pouco que vi, foi um verdadeiro ACHAQUE, pressionando o eleitor a manter a trilogia petista na esfera Federal, Estadual e Municipal.

22/09/2012

...:BANQUETE:...

Lanche: uma fatia de presunto. Hahahaha!

28/09/2011

...:VISITA:...

Salvador -> hospitalidade -> falta chinelo -> sobra cachecol -> nariz escorre -> repartição -> carinho dos colegas.

03/05/2009

COM FIM


O vendedor já indo embora do bus

No mesmo ônibus, outro vendedor, vendendo "Hallis" (Halls) em diversos sabores, no prazo de validade, pessoal! Todo mundo aqui chama Halls de Hallis.

Mais um deles.

Esse vendia "picolé de fruta"

Minutos mais tarde: esse era mal educado e não gostou de ser fotografado, acho que queria uma gorjeta.

Tive que aguentá-lo dançar pagode e cantar "rala a **** no asfalto". A classe das pessoas é assombrosa!

Que eu sou uma peoa e ando de buzú não é novidade. A novidade é que eu não vou mais andar em pouco, pouquíssimo tempo. Mas quando eu nem imaginava que isso seria uma realidade tão próxima, um pouco antes de viajar de férias para Curitiba, eu fiz essas fotos, já com a paciência estourando com tantos vendedores que entram pela porta dianteira dos coletivos nesta grande, maravilhosa e organizada cidade da São Salvador.

Aqui, entramos pela porta de trás e os que têm isenção de tarifa pela porta de frente, para ficar apinhando quando a gente quer descer. Por que não dão um cartão de isento para eles passarem na roleta, como em Curitiba? Lá se entra pela frente e os ônibus têm uma porta no meio, assim se o ônibus tá cheio a pessoa não precisa fazer a via sacra até o final dele. Em Salvador, os poucos ônibus que têm a porta do meio não a utilizam.

Mas fora os isentos de passagem, quem entra, e muito, pela porta da frente são os vendedores. A Prefeitura de Salvador resolveu organizá-los, dando-lhes um uniforme. Eu já vi um passar o uniforme para outro, mas na verdade isso não importa, pois entram desuniformizados tb. O fato é que com a "legalização" o número de vendedores nos ônibus, legais ou não, aumentou vertiginosamente.

Existem viagens em que entram mais que quatro vendedores, sem exageros. Quando o ônibus para em frente a lugares de grande movimento, como o Shopping Iguatemi, é uma profusão de vendedores, uma verdadeira batalha! Tem de tudo: água gelada, caneta automática quatro cores e para CDs, cartilhas educativas, quebra-cabeça, kit para costura, balas e guloseimas em geral e mais uma dezena de artigos inusitados.

Peculiar tb é a forma de venda. Existem desde os que dão agonia e vontade de sumir, compartilhando com vc as desgraças pessoais e usando a tática da culpa social para tentar alavancar as vendas, até os bem humorados e os que parecem recém saídos de uma escola de marketing. Existem os que usam as vendas para levar as palavras de Deus, existem os que falam tão baixo e para dentro que terão que penar muito para vender algo. Existem os insistentes, que apesar de ninguém fazer menção de comprar nada, continuam repetindo, repetindo, repetindo.

E o mantra ecoa na cabeça da gente: "boa tarde, pessoal! Desculpe estar incomodando a viagem de vcs, mas estou vendendo _______ (deliciosos, práticos, divertidos) ___________ (amendoins, canetas, passatempos)"... E por aí vai.

Às vezes eu nem escuto, às vezes me dá vontade de falar: "mas de novo? Acabou de sair um vendendo isso agorinha!", às vezes me dá simplesmente vontade de tapar os ouvidos. Numa cidade séria, isso não acontece, os formuladores de políticas públicas pensam em outras formas de dar alternativas para essa gente produzir meios de sobrevivência. Péra, péra. Eu falei séria? Isso existe no Brasil? Estou querendo demais, né? Menos avacalhada, digamos!


01/05/2009

PALAVRA CHATA

Nem o Chico, maravilhoso, conseguiu salvar o filme. Foto do site da chatice ambulante

Fui ver Palavra Encantada. Não tinha lido nada sobre o filme nem ouvido falar sobre ele e o convite veio de sopetão, no trabalho. O filme se propõe a abordar a relação entre música e poesia na música brasileira, com depoimentos de Chico Buarque, Maira Bethânia, BNegão, Adriana Calcanhotto, Jorge Mautner, Ferrez, Zé Celso, Paulo César Pinheiro, Luiz Tatit.

O chato é que aí vc tem que aguentar Antônio Cícero, Lenine, Zélia Duncan, Zeca Baleiro, Martinho da Vila, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Arnaldo Antunes e José Miguel Wisnik, além da péssima luz das entevistas. E ainda por cima uns trechos de clips das artistas, parecendo uma coisa educativa, para burro ver. Tipo olha, estou falando disso aqui, que vc, burro, nunca viu, nem tem discernimento para saber se gosta ou não.

E isso cai como uma luva para a platéia de Salvador. Desculpem, mas ou eu levo muito azar ou é verdade. Seguinte, cinema é um lugar onde a gente entre para ver filme, e não para conversar. Quer conversar, fica vendo novela em casa. A galera a-do-ra ficar comentando qualquer coisinha, deve se achar inteligente por estar entendendo o que o Chico Buarque diz. Ou então o que aquele poço de inteligência, o Lenine, balbucia.

E o coitado do Tom Zé não pode aparecer na tela que começam a gargalhar. Se eu gosto ou não gosto do Tom Zé, é outra história, mas eu acho que antes de tudo, tem que se ouvir o que o cara tá dizendo. E o que ele disse de Caymmi foi bonito, reverencial. Não foi engraçado. Mas as antas riem. Eu tive que fazer força para não sair do cinema, na verdade não saí porque minhas amigas iam achar que eu estava mal humorada. E antes de começar o filme, eu não estava.

E eu nem estava num cinema de shopping. Estava numa sala de circuito de arte, com pessoas que se dizem intelectualizadas. Sinceramente, eu devia ter vindo embora para casa. Amo o Chico, mas ele não me disse nenhuma novidade. Gostei só de ver como era a casa de todo mundo. E ver que um verdinho dá uma paz no ambiente.

Agora, alguém me diz como podem fazer um filme tão ruim apesar de ter tanta gente boa no roteiro?

02/02/2009

DIA DE FESTA NO MAR

Num dos extremos do percurso da festa, o mais próximo da minha casa, o módulo policial, ainda desativado, afinal eram 06h00. Passa lá 15h00, passa... Vai estar cheinho, cheinho....

No Largo da Mariquita, o início das mudanças no trânsito

Comprei logo minhas flores, porque achei que mais perto do fervo ia estar mais caro. O vendedor, maior simpatia. Avisei que ia tirar foto das flores, ela falou: aproveita e tira uma foto minha com o buquê na mão!

Chegando perto da colônia de pescadores, desci uma escadinha que dá para as pedras, pensando em fazer uma oferenda mais intropectiva dessa vez.Como não tenho o hábito de fazer longas orações de agradecimento (sim, a gente tem que agradecer mais do que pedir, pedir é feio!), e na verdade eu estava tão excitada com aquilo tudo acontecendo, tanta gente, tanto barulho, tanta coisa para ver, eu me desconcentrei total, eu pensava: onde eu estava mesmo? Achava muito mais interessante ver as pessoas à minha volta, olhar a paisagem, do que propriamente bancar a fervorosa. Quando chegou um cara todo arrumadinho, camisa, calça e sapato social brancos, e tirou da sua sacola um coco verde que devia ter um preparado muito especial, é que eu vi que aquilo, aquela reza, aquela entrega, era coisa para quem realmente tem fé. O cara fez seu cântico em voz baixa, bateu suas palminhas de modo discreto e silencioso, aquilo era importante para ele. Bem diferente de eu e meu papo de "onde eu estava mesmo?". Aí eu desencanei e subi a escadinha, para ver o resto da festa.

Até pensei em ir pelas pedras, mas pensei que se havia um caminho mais fácil, para que complicar?

Passei batido pela fila que as pessoas faziam para para depositar suas oferendas em balaios que vão para alto-mar. Desci a escadinha para a praia dos pescadores, onde haviam vários espetáculos a céu aberto, ainda bastante autênticos, mas alguns já um pouco sob encomenda para turistas e baianos interessados em desembolsar algum.

São oferecidos passeios rápidos de barco para que as oferendas sejam deixadas no mar.

Havia várias barracas instaladas na praia, algumas se preparavam para rituais, outras davam sinais que mais cedo tinham armazenado oferendas que já tinham ido para o mar.

Havia também vários iniciados no camdomblé (não sei como se chamam) com barracas com folhas, água de cheiro, sal grosso, arroz, enfim...
Um desses me chamou, falou que Iemanjá falou para ele que queria falar comigo. Bem, eu já tinha resistido ao assédio de umas baianas ao pisar na areia no início da praia, e chega uma hora em que vc pensa: eu estou na festa de Iemanjá, tenho que tomar um banho de cheiro e limpar minhas energias". Claro que no final do ritual, eu tinha que deixar R$ 20,00 para Iemanjá, mas por sorte eu saí apenas com R$9,00. Cincão foram nas flores, e assim, me desculpe Iemanjá, mas vc ficou com R$ 4,00. Minhas três rosas brancas, que eu estava vendo que eu não tinha onde deixar, foram providencialmente convidadas a ficar lá na barraca do chegado de Iemanjá.

A parte mais bonita da festa: uma roda que eu acho que era de umbanda

É emocionante ver como pessoas do dia a dia ficam majestosas

É uma comunhão com as forças da natureza. Ali, na areia, no mar, é o melhor lugar para aquilo tudo ocorrer. Tudo fica simples, tudo faz sentido, tudo deve ser louvado e agradecido. Estar ali , compartilhar aquele momento com aquelas pessoas, é uma dádiva.


Fui cedinho para a festa em homenagem a Iemanjá, realizada todos os anos no dia 2 de fevereiro, na colônia de pescadores do Rio Vermelho. Não tão cedo a ponto de ver a Alvorada, quando há um estourar de rojões e há a "inauguração" oficial da festa, ao amanhecer.

Desde ontem já havia pessoas depositando suas oferendas no mar. A fila na colônia, que fica ao lado da igreja de Santana, é grande desde cedo (cheguei lá às 06h30 e sem chances, fiquei com minhas três rosinhas brancas na mão, pois Iemanjá não faz conta se eu entrei na fila ou se joguei no mar, néam?).

Uma iniciativa louvável é a do Instituto Nzinga de Capoeira Angola, que está realizando uma campanha de conscientização para que as oferendas sejam menos nocivas ao meio ambiente. Contudo, há resistência por parte de líderes do candomblé.

Vejo que isso precisa ser trabalhado, e muuuuito. Alguém precisa usar esses métodos educacionais intelectualizados todos que estudam nas escolas de educação, nos mestrados e nos doutorados da vida, nas questões de aproximação da linguagem popular, para explicar para a galera que Iemanjá é vaidosa sim, mas ela é um orixá, muito mais antigo que a gente. Que nós somos uma abstração perto dela, que sabonete, boneca de plástico, tudo isso surgiu depois dela, então ela não pode fazer questão disso, que é apenas uma representação.

Isso me irrita. Como assim, se Iemanjá não gostasse disso, não dava mais peixe no mar? Já não está dando, e com todo o respeito, não é em decorrência da vontade de Iemanjá não. Então, Fundação Cultural, pega um pouquinho dessa dinheirama que tu joga nessas festas bizarras de shortinho e bunda de fora e investe no processo educacional ao longo do ano para essa galera do candomblé, que merece todo o respeito, mudar um pouco a opinião sobre a questão das oferendas.

Mas ante a grandiosidade da festa, essas questões, embora importantes, ficam secundárias. Não chegam a estragar o meu humor, embora eu as observe. Há modos e modos de curtir a festa. Por pouco que eu a conheça, eu acho que o melhor dela se dá na areia. Nos detalhes, nos cultos, nas crenças das pessoas.

Quando eu tinha quatro, cinco anos de idade, morava no Rio de Janeiro com a minha mãe e meu pai (último ano antes deles se separarem). Passamos um Ano Novo na praia, acho que em Copacabana, e tinha aquela festa toda, mas o que mais me chamou a atenção foram as baianas do cambomblé.

No ano seguinte, eu e minha mãe passamos o Ano Novo em Piracicaba, na casa da minha vó, aquela caretice total, bem família. Uns dias depois da festa, eu, intrigada, perguntei para a minha mãe se aquele Ano Novo que a gente comemorou em Pira era a mesma coisa daquele Ano Novo (afinal de contas tããããão animado) do Rio.

Pois é, vivam as baianas, viva a manifestação religiosa africana, viva o pé na areia, viva a oportunidade de poder comer uma feijoada e sair da dieta!

24/08/2008

TRANSFORMAR


Esses dias eu estava indo para o trabalho (de carona) e a partir de um determinado ponto, havia sempre um ônibus na nossa frente. Nele, quatro garotas que estavam indo para a escola se divertiam no banco traseiro, olhando o percurso, brincando, conversando.

Graciosas, me faziam lembrar do quanto as coisas chatas podem ser divertidas e que a gente tem que se esforçar para isso. Quando perceberam que eu ia fotografá-las, fizeram mais gracinhas ainda. Lindas!

04/08/2008

DESSEMELHANTE

Os dois, com a camiseta do Grupo Escoteiro, no avião. Lindos, na praia do Farol da Barra Luana e Helena no Farol da Barra Os curitibanos no Farol Vista de cima do Elevador Lacerda. Lá embaixo, o Mercado Modelo.

A titia e os santinhosHelena e suas trançasSuuuper baianosUm batuque mirim Heleninha vendo a Didá passar Eu e os guris no Terreiro de Jesus Dois que não se desgrudam, de grude no Pelô

Henrique jogando capoeira no Mercado ModeloO Elevador Lacerda, agora visto de baixo

Os dois irmãos na Conceição da Barra Os dois na entrada do Solar do Unhão Lelê elegantésima sob a copa de uma árvore Eu e os meninos, numa escada do Solar do Unhão

Bem, eu só faço certos passeios nessa cidade quando vêm amigos meus de fora. Fui com a Luana, Helena e Henrique ao Pelourinho, Mercado Modelo e Solar do Unhão.

A miséria assola a cidade. Tudo decadente. O Pelourinho é bem menos pior de dia que de noite, dá até para passear e sentir um pouco a beleza do lugar. Se vc não quer passar vergonha, não ande no Pelourinho comigo. Porque vergonha, vergonha mesmo, é vc não poder andar em paz pelas ruas, que já vem uma pessoa querer amarrar uma fitinha do Bonfim no pulso.

Logo para cima de moá, camarada? Não vou aguento papinho de "Sorria, vc está na Bahia". Tirando isso, é fantástico poder encontrar com batuques a qualquer hora. Dá até para esquecer que esses mesmos batuques foram o pretexto utilizado para essa massificação cultural que assola a velha Bahia.

O Pelourinho é realmente bonito. Mais bonito nas fotos, que não levam a aura demente dos seus frequentadores. Não revelam o turismo sexual, a prostituição, as drogas, o vício, a pobreza, o conformismo, o roubo, a violência. Revelam apenas pessoas felizes, sorrindo ao lado dos monumentos históricos. Então, que assim seja.

Na Sorveteria Cubana, disputamos espaço com os turistas de excursão. Não entendo como alguém pode fazer um turismo desses, comandado por uma pessoa que usa apito. Hora para chegar, hora para sair. E caros. Os caras têm a manha de cobrar trintão por cabeça para quem está fora dos pacotes andar num buzão. De dois andares, mas buzão, com hora para subir, hora para descer.

Continuando o passeio, descemos o Lacerda e fomos ao Mercado Modelo. Vontade de comprar mil toalhas de mesa coloridas, mas graças a Deus eu estava sem dinheiro. De lá, a pé para o Solar do Unhão - que abriga o Museu de Arte Moderna da Bahia.

Aí a gente entende porque a Bahia é como é. É linda, mas não funciona. Tipo um cara com jeito de gostosão, mas brocha. O MAM brochou. Fui mostrar uma boa vista do pôr-do-sol para as crianças, mas não pudemos passar uma cordinha com uns cones. Um segurança com uma camiseta escrito "Pitta" nos impediu. Informou que haveria um show a partir das 19h. Eram cinco da tarde, e não adiantou eu falar que não tinha nenhum interesse em ficar lá para o show (que aliás devia ser uma bosta). O imbecil achou que eu ia, com aquelas duas crianças, ficar mofando lá por duas horas? Que era golpe?

Parabéns ao Governo Jacques Wagner e ao grande Secretário Márcio Meirelles que conseguiram privatizar um dos poucos espaços agradáveis da cidade. Mostrar o Parque das Esculturas para eles? Não pode, porque estava fechado. Mostrar a escada de madeira projetada por Lina Bo Bardi? Tb não pode, porque está fechado.

Oxi, mas o MAM não tinha ficado fechado em julho de 2007 para reformas? Estaria eu fazendo confusão? Nãããõ, meus amigos. Sorriam. E continuem votando nos moderninhos, nos engajados.

24/07/2008

AVE!


O pinguim não está com os olhos vermelhos, mas está exausto. Lutando para sobreviver. Algo saiu errado nos seus planos. Desvio de rotas. Nada a ver com livre arbítrio.

Chegou na praia errada. Para ele, não foi uma Boa Viagem, embora tenha chegado na localidade com esse nome. "Que porra eu estou fazendo aqui", ele deve ter pensado. Ou será que ficou aliviado por, finalmente, ter chegado em solo firme, depois de nadar, errante?

O resultado da estupidez humana recai sobre eles. Recai sobre as correntes marítimas, recai sobre a atmosfera, recai sobre o clima.

A ele, só restou uma caixa de papelão no IMA (Instituto de Meio Ambiente, ex-CRA), após ser recolhido por moradores das cercanias. De lá, ele foi para outro IMA (Instituto de Mamíferos Aquáticos), mesmo sendo uma ave.

Ave doente, ave debilitada, ave que comove. Ave que faz cocô mole, ave que tem cheiro de mar. Ave que está sendo vendida. Ave que é comprada, ave que virou moeda de troca entre os que também sofrem com a estupidez humana. Mas nem por isso deixam de exercê-la.

A estupidez que os permite comer as aves que aparecem no mar. A mesma estupidez, diriam alguns, que faz com que a gente compre aves no supermercado. A estupidez dos que ficarão doentes ao comer as aves. A minha estupidez ao pagar o imposto que tratará da saúde (?) dos comedores de aves silvestres

A grande estupidez da capital baiana ao estar tão despreparada para receber os "hermanos" avícolas.

23/06/2008

ACENDE A FOGUEIRA DO MEU CORAÇÃO

Anna and me

Ontem eu fui ao show do Alceu Valença no São João do Pelourinho. Ainda bem que a Anna tb queria ir, porque eu já estava tão entediada de ficar trancada em casa há dias que pensei até em ir sozinha.

Realmente, é outro mundo. É impresisonante como aqui em Salvador as camadas sociais não se misturam. Estávamos lá, nós, no meio de um mundo que eu, pelo menos, desconheço. É o mundo real. O mundo de pessoas de bem, sérias, honestas, trabalhadoras, humildes. Que dançavam forrózinho chamegado com seus maridos, seus namorados, seus amores. Que cantavam junto com Alceu todas as músicas das quais eu sei a letra de trás para frente e de frente para trás.

Mas são pessoas com as quais eu não convivo. Todas estavam enfeitadas, bonitas para a festa. Com suas roupas compradas em lojas populares, e não por isso menos bonitas que o meu vestido caro e minhas pulseiras novas.

Fiquei, assim, comparando no que seria a felicidade. Eu estava lá feliz por estar no meio daquela gente. Por eu estar assistindo um show do Alceu doze, quinze anos depois do show dele que vi lá em Antonina.

Sim, aquele show em que fui sozinha passar a noite no Festival de Inverno. Aquele show onde não encontrei nenhum dos quinze mil amigos que eu esperava encontrar (ora, alguém não havia dito que a vida era uma festa?) e acabei dormindo num alojamento de estudantes que eu nem conhecia, coberta apenas com meu casaco, depois de ter sido umas das únicas que ficou vendo o show sem guarda-chuva.

Agora eu estava num show do mesmo cara, e estava simplesmente sendo bom. As coisas não precisam ser espetaculares - expectativa gera sofrimento. Podem simplesmente ser.

E assim, fiquei satisfeita por estar com uma amiga querida, numa noite tranquila.

O meu telefone foi roubado, mas é porque dei mole - fiquei cuidando demais da minha bolsa, mas esqueci que ela tinha uma bolsinha externa, onde eu, espertamente, deixei o celular.

Ah, e no telão, em vez do Alceu, algumas vezes aparecia o Governador dando uma entrevista que a gente - graças a Deus - não ouvia. Mas eu via Alceu lá no palco, pequeninho, olhava pro telão para ver se via algum detalhe.... E tinha o desprazer de ver JW se aproveitando da festa para incutir, nada sutilmente, sua imagem na mente dos eleitores.

21/06/2008

VIZINHANÇA

Ontem, encontrei um novo colorido na imensa pedra da Rua Oswaldo Cruz: flores compostas por um mosaico de formas que "imitam" pedaços de azulejo

As flores foram pintadas bem ao lado das obras do Bel Borba. Dá para notar o estado DEPLORÁVEL da calçada, néam? Quando chove, fica intransitável. Qdo tá seco, não é muito diferente.

Formas que remetem às pinturas ruprestres

Vai um fossilzinho aí?

Tá de bodeAlongando
Caçador - coletorBambuzal em cima da pedra
Na outra quadra, mais um mosaico, tb do Bel Borba

Um buraco no muro vira expressão facial