Não sei quem eu conheci antes: Beto, Coelho, July et Joe, Vorvolaka Pray, Skdjcutle (como se escreve?), Garotos Chineses, Magnéticoss, aaaaaa Malencarada, Maremotos, Hellfishes ou Easy Players. Sei que esses "meninos" conseguem estar presentes em bandas sempre fabulosas.
Coelho se tornou meu amigo a partir dos anos 90. Multinstrumentista, produtor musical e engenheiro de som, sempre foi capaz de conservar nossa amizade, não obstante seu talento e incrível crescimento de seu círculo social.
Já Norberto tem um incrível alinhamento musical com minhas preferências, embora a gente nunca tenha conversado especificamente sobre... música! Eu acho isso simplesmente admirável, é como se ele captasse o que eu quero e gosto de ouvir - muitas vezes o que eu estou ouvindo em determinado momento, sendo uma coisa nova ou velha - e transformasse aquilo simplesmente no seu trabalho, que foi concebido muito antes de eu estar naquela fase sonora.
Ontem de tarde, enquanto a banda passava o som, eu comia um pastel com a namorada do Coelho e falava da minha imensa alegria por estar de volta a Curitiba. Do prazer em encontrar as pessoas com as quais eu me identifico, mesmo após tanto tempo sem vê-las, e ser tão recebida.
Ela então falou, muito prática:
- É amigo, né?
É, Rita, é amigo. Amigo é assim, e eu tinha esquecido.
E meus amigos trabalham duro. Não bastasse o extremo talento, ainda têm uma coisa que eu tenho de menos - paciência. Para passar o som, ver o retorno, a altura do microfone, os graves e agudos da voz, a afinação da guitarra.
Sim, qual é a novidade disso?
A rigor nenhuma, pois metade da minha vida foi com as bandas e metade no mato. Ver passagem de som não é exatamente uma novidade para mim.
Mas percebo que há 20 anos atrás eu não tinha essa percepção da trabalho alheio. Talvez até porque fosse muito natural se fazer o que gosta, e sobreviver disso. Aliás, quem há 20 anos se importava, realmente, com a maneira pela qual ia sobreviver? Alguns, reconheço, mas não eu, verdadeiramente.
Sobreviver era criar. Sobreviver era pensar. Sobreviver na verdade era algo que se fazia sem esforço algum. Brotava.
E enquanto aqueles "meninos" - sim, eram meninos, ainda mais com o desvio padrão etário quando se leva em conta Lucian e Giva na amostragem - trabalhavam na minha frente, preparando o espetáculo, eu pensava na importância de se gostar do que faz e - no meu caso - estar onde se gosta.