09/07/2009

H2OLHOS


Ao chegarmos no Parque, Sandra falou: "vamos beber uma água?". Claro, só se pensa nisso, com umidade relativa de 49%. Eu já estava pegando minha carteira para logicamente comprar uma aguinha, quando nos deparamos com um... bebedouro! Da CAESB. Dili!

O Parque conta com uma infraestrutura muito bacana, como lixeiras com um desenho que achei interessante

Será que em Brasília as pessoas já têm a cultura de sepação do lixo? Espero que sim! Há coleta seletiva, ao menos no Plano Piloto, que eu saiba. Na casa dos meus irmãos, vejo o caminhão do Lixo que não é Lixo passando, não é o sufoco que é em Salvador, onde vc precisa ligar para a Limpurb, saber qual é a ONG que trabalha no seu bairro (se houver uma), e rezar para que ela passe no dia e horário marcado. Senão não tem onde colocar todo o lixo reciclável da semana, do Edifício inteiro, já que vc convenceu as pessoas a separarem (e mesmo assim elas separam errado, basta ir jogar lixo na lixeira do seu andar e ver garrafas pet no lixo orgânico).


Uma das barracas que oferece massagem


Uhú, me senti no Central Park. Gente tomando sol, que moderno! Minha irmã falou que menos, que basta ir ao Parque da Cidade que isso é comum.

Há uma série de equipamentos para atividades físicas, que no final da tarde ficam bastante disputados. Na foto, um espaço específico para a terceira idade com esses equipamentos. Tem até aquele elíptico! Aquele, quue na minha academia me falram que eu só posso ir quando estiiver mais "adiantada"...

Um tronco de árvore virou uma onça!

Um gatinho se camuflando...

Existem áreas de vegetação. Alteradas, mas com vegetação. Melhor que a comunidade de Brasília tenha essa área verde, amplamente utilizada, que isso tenha virado um monte de prédio, né?

Já pensou em tudo isso aterrado? Muiita gente já!!!!

Em mais um reencontro, fui com Dona Sandra Bittencourt caminhar no Parque Olhos d'Água. Quatro voltinhas a pé. Quinze voltinhas no tempo, que parou e não passou, mas passou e continuou nos deixando lindas, risonhas e engraçadíssimas.

Ela lembrava de taaaaaanta coisa que eu não lembrava! Impressionante como existem fatos que ficam na memória dos outros. Acho que essas amizades de adolescência, essas quando uma conhece a família da outra, que foge junto do colégio, que dorme na casa da outra, que inventa mentira ou descobre as verdades juntas... Essas coisas marcam, e são marcas boas.

Às vezes fico pensando que virei a mais careta de todas minhas amigas. Ou de um bando delas. Ou talvez a minha "loucura" tenha me dado lucidez para chutar o balde na hora certa, enquanto a "caretice" delas as fez aguentarem coisas tipo dez anos de um casamento no way.

Por isso, eu me acho muito certinha. Não ter filhos me deu essa mobilidade, essa independência, me possibilitou tomar com mais rapidez decisões que outras mulheres demoram mais para amadurecer - há mais coisas em jogo.

Claro que existem ônus nessa minha decisão, mas acho que o tempo em que eles mais pesaram já se passou. Casamento eu também não sei se é para mim, ao menos não nos moldes de muitos dos que ouço relatos - inclusive dos dois que tive - que foram desfeitos justamente por isso.

Pensando bem, nada melhor para se renovar com a solteirice do que se lembrar de como pode ser árdua a vida de uma pessoa mal acompanhada. Quero leveza! Se for sozinha, beleza! Acompanhada, melhor. Mas leve!

NÃO ADIANTA BATER

Eu e Alice, no Beirute da Asa Norte

Fachada lateral do prédio do Instituto de Artes (IdA) da UnB

Chamada para exposição no Espaço Piloto

Cometa Cenas

Cartaz d "A Casa Fechada"
Cena inicial da peça

A Casa Fechada

Ontem fui ver o espetáculo teatral "A Casa Fechada", de Roberto Gomes, em montagem de alunos do curso de Artes Cênicas da UnB. A direção foi de Alice Stefânia, professora do curso. Foram duas apresentações no dia de ontem, inseridas no Cometa Cenas, mostra de trabalhos de alunos do Instituto de Artes da UnB.

Combinei com Alice de ver a apresentação das 18h. Ao chegar mais cedo (16h50, será que sou neurótica?), a vi rodeada de pessoas do elenco, e logicamente não fui tirar a concentração deles (nem ser inconveniente).

Zanzei pelo IdA e entrei numa sala onde estava tendo uma apresentação. Teatro, mesmo de alunos, não dá para ser de médio a ruim. Teatro tem que ser bom. E aí o diretor tem que se virar. Imagino que cada ator tenha sua limitação, mas cabe ao diretor ter noção do que está suficientemente pronto para ir ao palco.

Eu não entendo de onde algumas pessoas tiram a idéia da entonação completamente caricata dos personagens. Uma coisa quue não se aplica. Parece que estou ouvindo estória da minha coleção do Disquinho. Sério. Aí, nessa hora, eu acho que isso não é resultado para se apresentar numa Universidade pública.

E fica claro que há diferenças entre os atores. Alguns, por melhores que sejam, não conseguemm segurar a cena contracenando com outros que nos constrangem de tão ruins. Olho para o relógio. Nossa, acho que a apresentação pela qual espero não será naquela sala.

Como sou lesa! Claro que não será! Precisam mudar o cenário, precisam mudar tudo! E agora, como faço para sair dali? Meu pé está dormente, estou sentada no chão, vou fazer barulho, não tenho elasticidade para levantar como uma ginasta. Ah, claro, para melhorar estou de vestido. Não muito comprido.

Após engatinhar elegantemente em direção à porta emperrada, ao sair percebo que algumas pessoas aproveitaram minha iniciativa e me seguiram. Nada como ser precursora!

Então, fui ver a exposição de diplomação da turma de Artes Plásticas de 2009 - 1o. Semestre. Gostei de alguns trabalhos, e me alivei por não encontrar mais sentido nas coisas sombrias que estavam expostas, adequadamente, no subsolo. Com exceção de um coração (ou rim?) feito em metal trançado, bem delicado e artesanal, que tinha uma lâmpada que parecia um cristal que projetava uma sombra rendada, na parede. Esse eu adorei, fiquei brincando com a lâmpada, desenhando o movimento pendular do órgão projetado.

O restante, eu gostaria há dez anos atrás, quando tinha na boca um gosto de asfalto e sangue. E barro vermelho. Hoje tenho nuvens e sorvetes e um colorido de flores. Por mais que a vida tenha sombras.

Também gostei muito do trabalho do cara com traço dos quadrinhos. Em tempo de tantas instalações, ele reacendeu a lembrança de desenhar numa folha de papel. Não é assim que tudo começa?

Depois desse giro, volto para o corredor, onde econtro Alice, que me diz que o espetáculo vai atrasar um pouco. Me convida para entrar, eu declino. Mais um passeio. Quando volto para a porta da sala, já tem uma fila enorme, distribuição de senhas, todo um esquema. Informal, mas um esquema. Como eu ia falar para o cara que eu já estava lá antes daquela fila ser formada? Melhor pegar logo minha senha.

Começo a observar. Como seriam essas pessoas em Salvador? Será que eu seria implicante com elas? Provavelmente. Tenho uma tendência a ser benevolente com as pessoas de Brasília e rígida demais com as pessoas de Salvador. Em alguns pontos. Culturalmente.

Mas Academia é Academia. E Academia de Artes, ainda por cima, tem umas coisas que realmente... As conversas que eu ouvia enquanto esperava a fila me faziam pensar nisso. A galera da Academia sempre vai ter o rei na barriga, não adianta. E tb tem um olhar um pouco deslocado da realidade, ou sei lá, o que é a realidade? Talvez eles tenham outra realidade, que não é essa nossa (minha), simples, medíocre, comezinha.

Mas chegou um cara na fila e me perguntou: "é A Casa Fechada?". Eu: "hã?". Ele, de novo: " A Casa Fechada?". Eu, como já tinha dado um furo lá com as senhas mas agora era ÍNTIMA do ambiente e sabia que precisava de senha, falei: "não". Hahahaha, achei que ele tivesse perguntando se a casa era fechada para pobres mortais como ele, mas eu quis dizer que não, que era só ir lá nna frente que eles davam uma senha e vc entrava na fila e podia ver o espetáculo. Aí, uma professora que estava na minha frente acho que ficou com pena da minha descompreensão e falou para o cara: "é!".

E de fora em fora, entrei no teatro. Nem parece que tenho duas irmãs atrizes e sou filha de ator e diretor. Gosto de ser ter perdido esse vínculo e ter criado outros. É a minha identidade, e nesse sentido a acho comum. E sendo comum, gostei da peça. Com meu olhar que acho crítico para uma leiga. Sente-se claramente a afinação do elenco, mesmo com uma substituição aos 50 minutos antes do início da apresentação. Mérito de todos, e muito da direção.

O figurino estava fantástico, tb gostei muito da concepção gestual principalmennte da personagem "menina". Uma peça na qual a gente nnão presta atenção nos atores. Isso é bom.

Desta vez, na volta da UnB para casa, ao passar pelo CEAN eu não senti nadica da nostalgia que senti naquele outro dia. Acostumei, baby, tenho nervos de aço!

05/07/2009

A SANTA IGREJA

A fachada da Igrejinha, com a forma de um véu de noviça

Algumas pessoas simplesmente estavam ali

A arte se manifestando

Claaaaaro que na porta da Igrejinha tinha a turma do contra, as senhouras católicas, fazendo pressão. Senhoras católicas contra a obra do Galeno, porque certamente existem senhoras que são católicas e a favor. Mas essas, educadamente, fazem questão de marcar presença em todos os lugares. Tipo cigano cobrando dívida.


O polêmico painel principal

Painel lateral, com pipas em referência às crianças que avistaram N. Sa. de Fátima

Outro painel lateral

E outro

Na saída, sorvete. Existe coisa mais gostosa para um sábado de tarde?

Placa de autorização da obra em andamento


Na Asa Sul há uma Igreja, conhecida por Igrejinha de Fátima, que é tombada pelo IPHAN e que foi projetada pelo Niemeyer. Originalmente, a casa santa era adornada por obras de Alfredo Volpi, mas aí o padre que era o DONO do pedaço na época, achava que o Volpi era muito modernoso e após raspar e lixar o reboco, mandou um pintor de paredes passar a tinta branca por cima.

Como diz um entrevistado na matéria do Correio Braziliense, a destruição foi muito bem feita. Não dá para restaurar a parada, mano. Com isso e outras demandas, houve um projeto de restauração, a cargo, como não poderia deixar de ser, do IPHAN.

O arquiteto responsável pelo projeto de restauro na Igrejinha de Fátima explica a concepção do projeto, que englobou não só o que hoje causa calor nas senhouras católicas e nos políticos engravatados que estão fazendo pressão nos órgãos que têm função social ao lidarem com essa gente que tb faz parte de sociedade. Só que qualquer pessoa minimamente cidadã sabe que um órgão público tb (e não em segundo lugar) tem função técnica, que não pode se curvar a uma vontadezinha temporal de uma parcela que provisoriamente tem acesso aos meios de poder, que por sua vez escolheu meios questionáveis de manter a "governabilidade".

O projeto restauro da Igrejinha, afinal, não engloba só os painéis que Francisco Galeno foi convidado a conceber e executar, dentro de padrões pré-definidos a partir da obra original de Volpi destruída pelo pároco e senhouras complacentes. Tais critérios eram o uso do azul cobalto como fundo, a figura centralizada de N. Sª. de Fátima e elementos ligados à sua aparição.

Zuzo bem que não houve chiadeira para os outros benefícios do projeto, como recuperação ou restauração do projeto paisagístico de Burle Marx, do acesso à Igreja feito por uma escadaria, do piso externo e interno, dos bancos projetados por Burle M., dos azulejos feitos por Athos Bulcão, pintura, impermebialização da laje, sistema de som e iluminação e outros babados litúrgicos de acordos com as "ABNTs" do Vaticano.

Mas chegou na hora da Santa, nega, a porca torceu o rabo. Ah, porque a Santa não tem rosto, ah, porque é um desrespeito, ah, isso, ah, aquilo. Agora, o Jesus todo ensanguentado que eu tinha que ver quando eu era criança não é desrespeito não, né? Aquela coisa cheia de espinhos na cabeça do cara me causando agonia e me afastando potencialmente da igreja, afastando potencialmente uma futura devota, não é um desrespeito, né?

E todas as matanças, as desigualdades, as injustiças que a Igreja Católica promoveu ao longo dos séculos não são um desrespeito? E o próprio ato de cobrir a imagem da santa com um pano branco é bem respeitosa e retrata a tolerância pregada pelos ensinamentos de qualquer religião (pelo menos as que se prezam), néam?

Sim, mas não é disso que se trata. A obra de Galeno não é um troco, um afronte, um revide aos desvarios tirânicos do catolicismo. É apenas, e grandiosamente, a visão lúdica do artista, que tem influências de Volpi e foi escolhido por isso. E, depois de escolhido, teve a obra discutida com representantes da comunidade, que agora dizem que já viajaram o mundo e nunca viram uma coisa dessas, e que não concordam que as crianças cresçam vendo essa imagem, que não inspira piedade. Então, quer dizer que só é católico se for bem triste e ensanguentado?

Basta de me fazer fugir da sala dos ex-votos! Aquilo lá parece uma casa mal assombrada! Não se pode respeitar outro tipo de manifestação artística para os espaços religiosos que não seja mórbida? Sinceramente, às vezes vc não sabe se está numa igreja ou num trem-fantasma!

Até eu, que não entendo lhufas de História da Arte, sei que a Santa Igreja se revirou o que pode contra o naturalismo das obras de Michelangelo. O nu e a falta de sofrimento no semblante das esculturas e pinturas causou espécie.

Ora, claro que não estou querendo colocar o Francisco Galeno no patamar de um Michelangelo, mas o que quero dizer é que ao contrário do que certos argumentos defendem, as coisas não são estáticas. Se obra de adoração fosse sempre do mesmo jeito, nunca tinha tido anjinho pelado na igreja.

A própria Igreja não é essa coisa caquética que está tendo essa reação agora. Isso me faz envergonhar de ter sido batizada na Igreja Católica. Isso, ao lado do Padre Marcelo Rosa e do seu sucessor botocudo, me faz ver o quanto as pessoas estão realmente distantes dos ensinamentos bíblicos.

Só sei que no primeiro sábado em que cheguei à Brasília fui à manifestação a favor do trabalho de Galeno na Igrejinha. Num sábado de sol, adultos, idosos e crianças se encontraram para apoiar o artista e observar os painéis que foram novamente expostos, em meio a cadeiras e cavaletes. Aproveitaram tb para engrossar o abaixo assinado.

As senhouras, como uma sombra que não desgrudam, estavam lá! Como eu não sabia quem eram, ao entrar na Igrejinha achei simpático estarem todas em círculo. Claro, o espaço é público. Só não achei nada elegante essa afronta.

Entrei na Igrejinha e, como não podia deixar de ser, me ajoelhei e rezei. Eu não estava lá porque era contra a religião, porque para mim aquelas senhouras nem representam a religião. Claro, elas são bem mais católicas que eu, que nem sou, e longe de mim querer competir com elas. Devem saber nome de tudo que é santo, devem ser muito boazinhas e doar agasalhos nas campanhas de fraternidade.

Mas se sentem tão injustiçadas com uma Santa sem rosto que não conseguem se enxergar nela. Não, as coisas têm que ter rosto, nome e número. Código de barras se possível. Código, conduta, dogma.

Ajoelhei e rezei. Me senti meio estranha, porque era como se eu estivesse lá apoiando o Galeno necessariamente excluísse minha possibilidade de me ajoelhar, esse gesto que eu aprendi a achar tão.. brega?

Pois é, hoje sou assim, rezo em toda igreja que eu entro. Não foi assim em 2000, quando ao visitar o Convento da Penha, em Vila Velha (ES), eu fiquei tããããoo de cara, mas tão de cara com o trabalho escravo que deve ter levantado aquilo que eu mal consegui balbuciar algo com meus interlocutores. A gente mal entrou e as duas meninas com quem eu estava foram logo se ajoelhando. Aquilo me chocou. Aquela pressa delas em se ajoelhar, como se fossem todas umas pecadoras, me assustou.

O que elas tinham era medo, era temor, não era uma coisa boa. Ou ao menos não me pareceu. Não naquele lugar tão opressor. Eu ficava imaginando os escravos subindo aquela colina com as pedras no lombo, que obviamente devia sangrar. Combinando bem com as imagens de Jesus crucificado.

Depois daquilo, mudei bastante minha reação nas igrejas. Fui ficando mais leve e entendendo que nem sempre tenho quue lembrar da parte ruim do catolicismo. Isso foi resultado da minha leitura de outros textos, de outras religiões, principalmente o espiritismo e o budismo.

Fiquei mais tolerante com o catolicismo. E com muitas outras coisas, na verdade. Acho que a gente tem que pegar os pontos bons de cada coisa. Sou uma pessoa ainda muito crítica, e não quero ser ranzinza a vida toda. Quero ser leve sem ser piegas. Equilibrada sem ser chata. Acho que a religião pode ajudar muito nesse processo.

Então, me sinto muito à vontade para rezar, seja numa igreja ou na Festa de Iemanjá. É uma coisa pura, sem pretensões, sem planos. Íntima, mas ao mesmo tempo meio engraçada, pois é feita em público. Não é cotidana para mim. Mas é completamente legítima.

Agora, me vem uma psicopedagoga dizer que ela tem fé de mais?

08/06/2009

ENCONTRANDO

Imagem pega de Lost Horizons, um site bem estranho, mas foi o único lugar onde achei uma imagem que não fosse "arroz de festa" do filme.

Dando continuidade às eletrizantes sessões de cinema, foi a vez de Em Busca da Terra do Nunca. Não, o diretor não é Tim Burton, como a inteligente aqui pensava ao comprar o filme por quinzão nas americanas. Mas zuzo bem, aliás nem tudo que o Tim Burton toca vira ouro.

O filme com Johnny Depp, Kate Winslet, Dustin Hoffman e Julie Cristie conseguiu o que estava parecendo difícil: me prender à tela! Uh, e não precisa ser cabeça para isso! Basta botar um pouco de colorido nas coisas.

Umas crianças, não muita complicação, figurinos de época... O filma não descamba para aquelas coisas fantasiosas que me irritam, tipo Estória sem Fim (nem sei se me irrita, pois nunca ocnsegui ver o fim), e nem é tão melodramádico a ponto de ser óbvio, embora eu deva admitir que ele explora um pouco algumas situações um poucos piegas, sim.

Mas ele apenas sinaliza a questão da imaginação, não fica pregando um mundo cor de rosa, um mundo de mentiras. Ah, e também, em alguma hora a gente tem que ser leve, né? Se não for nessa hora, vendo aquelas árvores maravilhosas, o sol e a alegria das crianças, quando vai ser?

Eu nem acho o Johnny Depp essas coisas. Talvez ele seja tão bom ator que por isso mesmo eu não o note. Agora, a Winslet, essa sim, que olhar sofredor ela tem, hein? Não conseguia esquecer dela em "O Leitor"!

Não tem quem resista àquelas crianças, ah, isso não tem! O que é o Peter Llevelyn Davies, pelamordedeus? Queria crescer logo, pois aquela vida de criança não tava bolinho para ele não!

Enquanto isso, tantos adultescentes por aí... O mistério é poder equilibrar...

06/06/2009

OS FABULOSOS QUEM?

Cartaz encontrado em de This Distractet Globe. Para link dos filmes, eu quase sempre coloco para filmes como referência a Wikipédia, apesar de saber das suas deficiências, porque eu não me adapto ao IMDB, que é chique, coisa e tals, mas eu acho chato.


Nesses findis suuuper agitados, em que tenho promovido sessões de cinema emocionantes para mim mesma, assisti Susie e os Baker Boys, com Michelle Pfeiffer, Jeff Bridges e Beau Bridges.

Devo dizer que a-m-o a Michelle Pfeiffer, o que já é um bom começo para um filme. Não sabia que o Jeff Bridges tinha um irmão, Beau. No filme, os dois são músicos, e Michelle, a cantora que a partir de um dado momento os acompanha.

Gosto dessa coisa da estrada, das turnês, de ver como o filme contou como o cotidiano pode matar o talento das pessoas - ou como elas podem sobreviver a ele.

Há uns anos atrás, talvez o que mais me prendesse na estória fosse o caso amoroso entre Susie Diamond e Jack Baker. Os dois já são bem calejados, e sabem que as coisas geralmente não dão certo.

Mas na verdade, o que me chamou a atenção foi a relação dos dois irmãos. Desde o começo fica nítido que um é o artista, o cool, o bonitão, inclusive. O outro é o mais pentelho, o que aguenta mandos e desmandos dos caras dos bares onde tocam, o cara certinho que tem uma família o esperando todas a noites depois do show.

Os dois irmãos tocam juntos desde a infância, mas aquela rotina de shows aprisiona o Jack, o talentoso, o cool. Eu passei o filme todo achando o Frank chato, só que num diálogo ele fala umas verdades para Jack e ai meu Deus!

Porque na real, Jack, Tatiana e todos os reclamões da vida (se bem que o Jack nem reclama tanto, eu já teria chutado o balde há mais tempo e ido à luta - ainda mais se fosse talentosa e bonitona como o Jack era.. Ih, Tatiana, pare de se projetar!), sim, na real é bem cômodo ficar posando de cool e ficar fora da realidade.

Só que as contas para pagar continuam, as pessoas que dependem da gente continuam, o mundo ao redor continua. Me lembrei muito da minha mãe com o diálogo visto e lembrei até da dita "governabilidade" do governo (eca, eca, eca) Lula.

Achei que no filme eles acharam um bom modo de cortar a interdependência que tinham. É um filme bonito, do tipo dos que gosto.

29/05/2009

DÁ-LHE BAHIIIIIIIA!

Mapa chumbregado de Mapas SOS Mata Atlântica. Vai lá que vc vê direitinho.

Triste Bahia

Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.

A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.

Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!

Gregório de Mattos


No último dia 26, a Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o INPE, divulgou o resultado do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica no período 2005-2008. Foram apresentados dados de 10 dos 17 estados onde o bioma ocorre, sendo que nos estados mapeados, todos os municípios foram levantados.

Os resultados? Ah, são resultados das ações realizadas, não poderia ser diferente, né? 103 mil hectares de desmatamento. Não sei qual a minha reação perante isso. Não é de surpresa. Ainda consigo me indignar, sim. Ainda consigo ter uma reação de revolta.

Sim, eu sei, a revolta não é um sentimento salutar, é bem melhor ser uma pessoa tranquila, zen, ter forças positivas para construir um panorama favorável, mas puta que pariu! Só uns bons palavrões mesmo para exprimir o que sinto. É infantilidade? Ah, que bom que me sobram arroubos da juventude! E não sou mais uma funcionariazinha pública acomodada ou me fingindo de engajada mas na verdade altamente comprometida com as negociatas que constróem esse índice inaceitável de desmatamento.

Campeões de um ranking altamente vergonhoso: os estados de Minas Gerais, Santa Catarina e ... tchan tchan tchan tchan... Bahia! Lá vem a Bahia, minha gente! Sorria, vc está na Bahia! Sobre Minas, eu não posso falar nadica, não tenho informação alguma, só que o IEF libera desmatamento de 6.000ha (ooops, isso foi um empreendedor que me disse, e em empreendedor a gente nunca pode confiar, sabe como é!).

Sobre a Santa e Bela Catarina, coitadinha, todo mundo sabe o qual é o babado. As enchentes não aconteceram a toa, e mesmo assim os deputados catarinenses aprovaram um código antiflorestal e claro, inconstitucional.

Agora, e na Baêa? Na triste Bahia, ó quão dessemelhante? Foram perdidos 24.148ha nesse período. Sinceramente, acho que tem alguém brincando. E não sou eu. As pessoas suam, passam anos e anos tentando implementar unidades de conservação de dez, doze mil hectares. E em três anos o Estado perde 24 mil hectares.

Os resultados do Atlas mostram apenas fatos. Mostram a opção de políticas públicas do Estado. Seria um ponto de partida, se a Baêa tivesse interesse ou ferramentas para fazer alguns contrapontos:

- Qual a relação entre área desmatada e área de unidades de conservação estaduais criadas? Ou com a questão fundiária regularizada? (Plano de Manejo criado ou revisados e implementação de conselhos nem sei se conta, porque é manutenção).

- Qual a relação entre autorização de supressão e a área desmatada?

- De que forma a expansão do carvão no sudoeste baiano contribuiu para a presença dos municípios que alcançaram o maior índice de desmatamento no Atlas?

Tipo: dããããr. São perguntas básicas. Respostas que já deveriam estar prontas, a todo momento, num monitoramento que se preze. Monitorar é não deixar a coisa acontecer. Estou falando isso em nível estadual. Não esperar a coisa ficar feia e oh, meu Deus, fomos surpeendidos com uma notícia muito, muito ruim, que ninguém esperava. Não sabemos como aconteceu e agora estamos nos reunindo para fazer um Pacto para a Mata Atlântica.

Nessas horas pareço pessimista. E realmente, não quero ser. Tem que se restaurar, sim! Aliás, existem duas, ou três coisas para ser fazer: conservar o que ainda existe, recompor o que foi detonado e ordenar o uso. Simples, muito simples. Bastavam as pessoas não se renderem à compatibilização de interesses.

Porque na verdade eles não compatibilizam os interesses dos segmentos da sociedade que em tese representam. Eles tentam compatibilizar os interesses dos que podem influenciar de maneiras diferentes na manutenção da estrutura do poder. Na manutenção deles, obviamente. Deles quem? Oras, dos que estão lá, dos primeiro ao enésimo escalão.

Então, ainda acredito, e realmente, me emociono com iniciativas concretas de qualquer natureza para reverter o terrível dano que o ser humano faz a si mesmo, seja sob o ponto de vista ambiental, social, econômico, ético ou quaisquer outros dos inúmeros outros. Sou bastante crédula, sobretudo esperançosa. Mas idiota, não dá para ser.

Acho que precisamos, sim, de um Pacto para a Restauração da Mata Atlântica. A proposta do Pacto é séria, tem nomes respeitáveis. Mas, ao menos no Estado da Bahia, precisamos de mais seriedade. Sabe em qual cerimônia as entidades baianas vão aderir ao Pacto? No Dia da Mata Atlântica - Perspectivas para a Bahia, que acontece hoje, na Casa do Comércio, em Salvador. O cartaz é bem bonito.

Mas a notícia do evento no Portal Seia, desatualizadíssimo, por sinal, tira a vontade de qualquer cristão de comparecer. É tanta autoridade, tanto projeto, tanta coisa que a gente já ouviu, que sinceramente... alguém vai falar sobre as políticas públicas que têm se mostrado completamente ineficiente no sentido da restauração? Concordo que em muitos casos não adianta chorar sobre o leite derramado e a gente tem que partir logo para a ação, mas nesse caso é diferente. A ação não acontece, passam-se anos e anos de gente e organizações pongando nos projetos e falando que vão acontecer.

As autoridades vão, mais uma vez, falar disso, e deixar de lado o escândalo dos números recém publicados do desmatamento? Ou vão falar das graaaandes iniciativas artísticas de restauração que só o Estado da Bahia consegue?

Voltando ao início da minha conversa, aproveitando taaaaanta gente boa reunida, alguém vai estar perplexo com os números da Bahia, o Estado que paga o salário deles (e o meu), e do qual eles são representantes e têm o dever de falar? Não, não, vai estar todo mundo suuuper interessado em fazer lobbys, bons contatos, aparecer bem na fita com os caras do ministério, falar bem sobre os não sei quantos mil hectares que serão restaurados (eu espero, sinceramente que sim, não que eu não espere, mas isso não me faz ir ao evento e ver rostos que eu estou cansada de ver, ouvir palavras que há anos ouço).

Sorry pelo meu densânimo. Notícias cotidianas, como saber que meus chefes não deixaram de cumprimentar só a mim, não ajudam. Hahaha, enquanto era comigo, zuzo bem, porque eu sou "problem" mesmo. Mas os caras não falam com outras pessoas tb. Eu achava que os chefes tinham outras coisas para se preocupar do que com a peãozada.

Com as multas que eles sugerem para a gente suspender, por exemplo. Afinal, eles não gostam quando recebem visitas do assessor do governador. Ficam brabinhos. Acho que eles se esquecem que essas multas que damos têm correlação direta com o índice de desmatamento do Estado.

Ah, coitados, a gente não os entende, né? São tão ocupados!

24/05/2009

CHATÓFORO

Foto de Adoro Cinema

Coitado do Chico Buarque. Fizeram um filme muito ruim do livro dele. Tá certo que eu não li o livro, mas o filme é muito, muito ruim.

Talvez se o livro fosse também ruim, houvesse toda uma aura do Chico me impedindo de ver isso. Mas tem aquela coisa dos livros, de deixar nossa imaginação correr solta pela narrativa. O filme não, dá a cara das coisas, o jeito dos personagens, as cores das cidades.

E é assim que começa Budapeste. Com uma belíssima imagem da cidade, o narrador contando para a gente que, ao contrário do que pensara, Budapeste não é cinza. Nossa, penso eu, vai ser um filme fantástico. Oh, como sou uma pessoa crédula! Cusp, cusp, como fui desgostando do personagem central. Talvez, se eu estivesse lendo-o, ao invés de vendo-o, eu nem desgostasse tanto, mas vê-lo realmente esgotou a minha paciência.

Não posso ter empatia alguma com um tipo fracassado e sem emoção. Talvez no livro esteja presente algum dilema, mas no filme ele simplesmente passava pelos fatos, não me transparecia paixão alguma pelo que fazia, nem tormenta alguma pelas dificuldades. E as pessoas, as mulheres, jovens e bonitas demais para ele, diga-se de passagem, me pareceram peças, coadjuvantes.

Ora, me dirá algum senhor metido a intelectual que se identifique com o personagem, ele teve alguns rompantes exatamente em função das mulheres. Não, ele teve rompantes - indicativos do seu modo totalmente tosco de lidar com suas inabilidades - em função do seu orgulho. Não do outro, mas dele mesmo.

E também, depois de "Clube da Luta" tudo fica brincadeira de criança no campo "o que será que aconteceu?". Enfim, achei tedioso, várias vezes me lembrei tanto do Clube da Luta como do "Livro de Cabeceira". Será que as pessoas ficam chocadas de ver o Chico tratando de temas menos nobres?

Ah, tem a questão da língua, que não me comoveu. Achei que conheci pouco da Hungria, e ficou claro que esse não era o propósito do filme, mas achei interessantes as paisagens, a cena dos músicos, as ruas.

E o contraste com a praia do Rio! Esse deu a sensação que a gente tem quando viaja de um lugar para o outro. Agora, existem coisas que são fracas, muito fracas, como o samba cantado em húngaro. Filmezinho chumbrega! E vem cá, o que é aquele ator de mais de 50 anos de idade pegando a Giovanna Antonelli, a Paola Oliveira e a atriz húngara, que não por acaso é linda?

Porque não botar no elenco mulheres imperfeitas esteticamente como ele? E da faixa etária dele? Ou então, porque não colocar como protagonista um bonitão como as moçoilas? É machismo siiiim! E eu não digo porque eu não goste de mais velhos, todo mundo sabe que são meus preferidos, só acho que as coisas têm que ser igualitárias.

Então, o fracassado é o bambambam! A Giovanna Antonelli está num dos seus primeiros papéis como uma mulher madura. Num dos primeiros que eu vejo, porque graças a Deus eu não acompanho a carreira dela. Agora, a húngara se interessando por ele é realmente demais! Tão óbvio que vai acontecer, e tão inverossímel, ao menos na pele daquele ator inconsistente...

Como eu disse, coitado do Chico Buarque, que aparece no final do filme. Eu acho que ele teve vergonha de aparecer num filme tão ruim. Me deu a impressão que estava com um sorriso meio amarelo.

19/05/2009

BONDADE

Impacto? Que impacto? Foto de Usina Hidrelétrica no município de Valença, Bahia. 2003.


Lula reduz valor pago por impacto ambiental


Decreto do presidente Lula reduziu o valor da compensação ambiental a ser pago por empreendimentos, como a construção de rodovias e hidrelétricas, por seus impactos no meio ambiente. A nova regra prevê um teto para a cobrança - de 0,5% sobre uma parcela do valor da obra. O valor está bem aquém do percentual proposto pelo Ministério do Meio Ambiente. Antes, o piso da compensação era de 0,5% sobre o valor total da obra, e o MMA advogou aumentar para 2%. O teto de 0,5% não se aplica mais sobre o valor total do empreendimento. O cálculo passou a descontar do valor total do empreendimento os custos do licenciamento ambiental e da mitigação de impactos sobre o meio ambiente, assim como os custos financeiros - FSP, 19/5, Brasil, p.A7.

Fonte: ISA


Pronto, gente! Agora sim, todo mundo fica tranquilo porque sobra o troco no caixa para as eleições!

03/05/2009

COM FIM


O vendedor já indo embora do bus

No mesmo ônibus, outro vendedor, vendendo "Hallis" (Halls) em diversos sabores, no prazo de validade, pessoal! Todo mundo aqui chama Halls de Hallis.

Mais um deles.

Esse vendia "picolé de fruta"

Minutos mais tarde: esse era mal educado e não gostou de ser fotografado, acho que queria uma gorjeta.

Tive que aguentá-lo dançar pagode e cantar "rala a **** no asfalto". A classe das pessoas é assombrosa!

Que eu sou uma peoa e ando de buzú não é novidade. A novidade é que eu não vou mais andar em pouco, pouquíssimo tempo. Mas quando eu nem imaginava que isso seria uma realidade tão próxima, um pouco antes de viajar de férias para Curitiba, eu fiz essas fotos, já com a paciência estourando com tantos vendedores que entram pela porta dianteira dos coletivos nesta grande, maravilhosa e organizada cidade da São Salvador.

Aqui, entramos pela porta de trás e os que têm isenção de tarifa pela porta de frente, para ficar apinhando quando a gente quer descer. Por que não dão um cartão de isento para eles passarem na roleta, como em Curitiba? Lá se entra pela frente e os ônibus têm uma porta no meio, assim se o ônibus tá cheio a pessoa não precisa fazer a via sacra até o final dele. Em Salvador, os poucos ônibus que têm a porta do meio não a utilizam.

Mas fora os isentos de passagem, quem entra, e muito, pela porta da frente são os vendedores. A Prefeitura de Salvador resolveu organizá-los, dando-lhes um uniforme. Eu já vi um passar o uniforme para outro, mas na verdade isso não importa, pois entram desuniformizados tb. O fato é que com a "legalização" o número de vendedores nos ônibus, legais ou não, aumentou vertiginosamente.

Existem viagens em que entram mais que quatro vendedores, sem exageros. Quando o ônibus para em frente a lugares de grande movimento, como o Shopping Iguatemi, é uma profusão de vendedores, uma verdadeira batalha! Tem de tudo: água gelada, caneta automática quatro cores e para CDs, cartilhas educativas, quebra-cabeça, kit para costura, balas e guloseimas em geral e mais uma dezena de artigos inusitados.

Peculiar tb é a forma de venda. Existem desde os que dão agonia e vontade de sumir, compartilhando com vc as desgraças pessoais e usando a tática da culpa social para tentar alavancar as vendas, até os bem humorados e os que parecem recém saídos de uma escola de marketing. Existem os que usam as vendas para levar as palavras de Deus, existem os que falam tão baixo e para dentro que terão que penar muito para vender algo. Existem os insistentes, que apesar de ninguém fazer menção de comprar nada, continuam repetindo, repetindo, repetindo.

E o mantra ecoa na cabeça da gente: "boa tarde, pessoal! Desculpe estar incomodando a viagem de vcs, mas estou vendendo _______ (deliciosos, práticos, divertidos) ___________ (amendoins, canetas, passatempos)"... E por aí vai.

Às vezes eu nem escuto, às vezes me dá vontade de falar: "mas de novo? Acabou de sair um vendendo isso agorinha!", às vezes me dá simplesmente vontade de tapar os ouvidos. Numa cidade séria, isso não acontece, os formuladores de políticas públicas pensam em outras formas de dar alternativas para essa gente produzir meios de sobrevivência. Péra, péra. Eu falei séria? Isso existe no Brasil? Estou querendo demais, né? Menos avacalhada, digamos!


01/05/2009

PALAVRA CHATA

Nem o Chico, maravilhoso, conseguiu salvar o filme. Foto do site da chatice ambulante

Fui ver Palavra Encantada. Não tinha lido nada sobre o filme nem ouvido falar sobre ele e o convite veio de sopetão, no trabalho. O filme se propõe a abordar a relação entre música e poesia na música brasileira, com depoimentos de Chico Buarque, Maira Bethânia, BNegão, Adriana Calcanhotto, Jorge Mautner, Ferrez, Zé Celso, Paulo César Pinheiro, Luiz Tatit.

O chato é que aí vc tem que aguentar Antônio Cícero, Lenine, Zélia Duncan, Zeca Baleiro, Martinho da Vila, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Arnaldo Antunes e José Miguel Wisnik, além da péssima luz das entevistas. E ainda por cima uns trechos de clips das artistas, parecendo uma coisa educativa, para burro ver. Tipo olha, estou falando disso aqui, que vc, burro, nunca viu, nem tem discernimento para saber se gosta ou não.

E isso cai como uma luva para a platéia de Salvador. Desculpem, mas ou eu levo muito azar ou é verdade. Seguinte, cinema é um lugar onde a gente entre para ver filme, e não para conversar. Quer conversar, fica vendo novela em casa. A galera a-do-ra ficar comentando qualquer coisinha, deve se achar inteligente por estar entendendo o que o Chico Buarque diz. Ou então o que aquele poço de inteligência, o Lenine, balbucia.

E o coitado do Tom Zé não pode aparecer na tela que começam a gargalhar. Se eu gosto ou não gosto do Tom Zé, é outra história, mas eu acho que antes de tudo, tem que se ouvir o que o cara tá dizendo. E o que ele disse de Caymmi foi bonito, reverencial. Não foi engraçado. Mas as antas riem. Eu tive que fazer força para não sair do cinema, na verdade não saí porque minhas amigas iam achar que eu estava mal humorada. E antes de começar o filme, eu não estava.

E eu nem estava num cinema de shopping. Estava numa sala de circuito de arte, com pessoas que se dizem intelectualizadas. Sinceramente, eu devia ter vindo embora para casa. Amo o Chico, mas ele não me disse nenhuma novidade. Gostei só de ver como era a casa de todo mundo. E ver que um verdinho dá uma paz no ambiente.

Agora, alguém me diz como podem fazer um filme tão ruim apesar de ter tanta gente boa no roteiro?

29/04/2009

ATÉ TU?

Mendigos em Curitiba? Sim, estamos no Brasil baby! Na porta do Teatro Guarinha, para ser mais exata.
Disk putas. Vc vai telefonar e as bundas caem sobre vc.
Em compensação, cartazes lindos na galeria do TUC (Teatro Universitário de Curitiba).

E a porta do TUC, o que é isso? Liiinda!
Eu acho que já vi isso em algum lugar, mas de todo modo é linda!

Curitiba é uma cidade maravilhosa para se morar, mas está longe de ser a perfeição apregoada aos quatro ventos. Existem, desde sempre, muitos mendigos pelas ruas, ao contrário do que possa se pensar. O que não existe é a desorganização total, o mangue, gente vendendo coisa aqui e ali, lixo nas áreas mais "nobres" da cidade, como existe em Salvador, em qualquer canto.

Existe periferia, e como sempre uma periferia que não é ouvida e que sequer conhecemos. Mas estou falando do Centro, do Centrão por onde eu sempre andei para ir ao cursinho, para pegar o bus de volta para casa, para comprar as linhas nos armarinhos para a minha mãe, para resolver as coisas na cidade e, principalmente, para ir aos bares.

Andando nos ônibus e pelas ruas, vejo que Curitiba não é uma cidade de loiros de olhos azuis, como eu achava que era qdo eu morava lá. Eu me achava diferente, por ter o cabelo crespo, não ter sobrenome de polaco e nem comer salsichón.

Hoje vejo que Curitiba é muito mais que isso. Curitiba é mestiça, o Paraná é mestiço. Há um traço muito forte indígena, chamado pejorativamente de "bugre", meio puxando para o pantaneiro até. Talvez daí venha minha parte bocão e cabelão, que é da família do meu pai, que é do interior do Paraná (minha vó era bem cabocla, fumava cigarro de palha).

Só sei que qdo estou em Curitiba, eu não me sinto estranha, sinto que minha cara, seja ela de russa, de polaca ou seja do que for, é mais igual por lá. Mas por aqui em Salvador eu tb não me acho mais estranha por ser branquela. Nem por todo mundo perguntar a toda hora se eu não sou daqui. Acho que eu me achava estranha em qualquer lugar antes, menos num show de rock, uha!

03/04/2009

INDEPENDENTE FUTEBOL CLUBE

Programação do Curitiba Calling no sempre necessário 92: 40 bandas em 3 dias

No Chinasky Bar: Alani, Luana, eu e Marize, esta última a quem eu não vai seguramente há mais de 20 anos (mas não espalha para ninguém!)

No 92, mais um encontro de mais de 20 anos: Tupan. não mudou nadica! A Luana não sai do meu lado, para variar, hahaha

Riot Revolver, banda onde tocam dois filhos do Tupan. Achei um a cara e o jeito dele e o outro a cara da Débora, a mãe.

Cut cut. Já são homens feitos, mas para mim serão sempre os meus dois amorzinhos de meninos: Vlad e Gemano, não são lindinhos? Ai que saudades de quando eles eram umas criancinhas nos anos 90. Fiquei muito feliz de encontrá-los, tão bem, super humildes como sempre. Admiro esses dois para cacete! Babo ovo messsssssmo!

Punkake, banda só de meninas.

Fui a dois dias do Curitiba Calling. Acho importantíssimo Curitiba ter se firmado como uma cidade rock, e sinto orgulho de ter amigos que batalharam e continuam batalhando por isso. Lembro de como eu ficava feliz por ter um lugar como o 92 para ir, quando ele era ainda na Visconde do Rio Branco, e como eu agradecia, emocionada (e bêbada) ao Júnior por ele ter garra para manter o lugar aberto, não obstante todas as guerras de alvará com a prefeitura, as reclamações dos vizinhos e as agruras próprias do negócio, como investir em bandas desconhecidas, bancar festivais, trazer bandas gringas e ter um selo.

Mas decididamente eu não tenho mais paciência para fazer parte de tudo isso como expectadora. Acho chato ir aos shows, acho velho ver um monte de gente com os mesmos comportamentos. Ai, que coisa chata repetir as mesmas coisas de 15, 20 anos atrás! Claro, eu gostei porque marquei de me encontrar com pessoas que não via há muito tempo, e não as censuro, ao contrário, as admiro por estarem no circuito. Mas para elas faz sentido, é a profissão delas, elas estão trabalhando e mais que isso, formando um cenário cultural pelo qual elas batalharam anos (décadas). E percebi que as que tocam vão embora logo após o show (tb, né, têm 40 anos nas costas e não foram para a balada, foram trabalhar).

O que me deixa sem saco é aquele ambiente enfumaçado, as pessoas bebendo uma cerveja atrás da outra, dançando um pouco autômatas, é algo que não faz sentido mais para mim. É uma alegria um pouco débil, eu de certa forma me enxergo e me vejo há cinco, dez anos atrás, de certa forma me vejo como fui a vida inteira e não me encaixo mais nesse padrão.

Acho aborrecido ter que gritar para ser ouvida, ter que pedir para a outra pessoa repetir o que acabou de falar para que eu a entenda. Ter que ficar em pé a noite inteira. Ter a bebida servida num copo plástico. Olhar em volta e ver um monte de gente com camiseta de banda. Cara, alguém tem alguma novidade para me apresentar?

Falando em novidades, o Norberto sempre apresenta alguma. Pena que no dia do show dele eu estivesse tão desanimada e quisesse ir embora tão rapidamente. Não tirei nenhuma foto do Easy Players, mas a banda é maravilhosamente intimista. Só achei que eles estavam no lugar errado, que as pessoas estavam muito mais interessadas em ingerir fumaça e álcool e ficar no blábláblá com suas conversinhas moles e bêbadas, ao invés de se concentrarem verdadeiramente na banda. Deve ser chatice minha. Mas eu achei que num outro lugar ou com um outro público eles causariam mais impacto. Que seria merecido.

A camisa do Norberto era algo entre o quadriculado e o calçadão de Copacabana. Eu nunca havia pensado numa transição entre as duas coisas.

Tive tanto sono nesse primeiro dia de Festival que só fui no segundo não porque já tinha comprado os ingressos antecipadamente (até para a Luana, que recusou a cortesia sem dó nem piedade), mas porque eu já havia combinado com a Marize, e não se fura trato feito com amiga).

O rock continua bom, eu tb, mas não precisamos estar necessariamente colados. Isso é um relação moderna, baby!