No almoço:
Garçom - Suco de uva, senhora?
Caco - Hahaha, ele te chamou de senhora. Senhora, hahahaha. (Irritantemente)
Eu - Ah é, né Caco! E vc, cheio de cabelo branco, nunca ninguém chamou de senhor! Sei. (Braba) Me chamaram de senhora pela primeira vez qdo eu tinha 27 anos, numa padaria em Piracicaba. É normal. (Me justificando, sem ter sentido fazê-lo.)
Segue o almoço.
Na saída:
Eu - (Relembrando o assunto, sem ter novamente sentido fazê-lo) Caco, vc com esse cabelo nunca ninguém chamou de senhor não, né? (Menina de 9 anos de idade x menino de 10)
Caco - Chamam sim. Geralmente perguntam: "o Sr quer alguma coisa? " e eu respondo: "Paz na Terra aos homens de boa vontade".
x - x - x - x - x
O que fomos, o que nos tornamos e o que nunca deixamos de ser.
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30/09/2015
08/09/2015
VICE VERSA DO CONTRÁRIO
Super show do Pupilas Dilatadas. Matando a saudade de "Superávit de Ódio", "CPF 00", "Militar não, muito obrigado", do show no TUC (?) nos anos 80 (?), do compacto "Experience" e das infinitas noites ao lado da Tita Blister, que me apresentou a banda.
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19/09/2012
...:FÔLEGO:..
Tem dias em que nada me diverte. Posso estar com os amigos mais sensacionais - estes com quem finalmente convivo em Curitiba -, na cidade que mais amo e na casa mais bonita em que já morei, mas é tudo um breu. Mas nos outros dias, nos em que eu consigo alcançar e superfície e respirar, eu agradeço muito por estar aqui, com vcs. Hoje eu respirei. Hoje é dia de Toca do Coelho.
11/04/2011
FORMIDÁVEL PÚBLICO
| Clube Outs |
Salada - Bebidinhas - Vai, volta - Desta vez sem salto - Fila - Jura que a Black é mais cara? - Eu não entraria num bar com esse nome - Lembra do banheiro do Trainspotting? - Não, ela não é minha mina.
Risoto - Danette - Kraftwerk - Thanks God por eu ter um amigo solteiro.
05/04/2011
SEMPRE
01/03/2011
23/02/2011
DO YOU REMEMBER?
| A rich guy |
- Eu fui de blue velvet no Blues Velvet.
----
- Eu tenho que te contar uma coisa que eu fiz.
- Ai, Tati, não vai me dizer que vc fez xixi na calça?
- Não, que idéia, que ridículo, eu aqui pensando numa coisa séria, vou desabafar e vc me fala isso?
- Claro, vc volta do banheiro com uma cara esquisita.
- Não, é que e tenho que contar para alguém que minhas tatuagens simétricas não ficaram muito simétricas.
- Ah, mas eu acho assim mais legal.
----
- Eu me lembro dela! Eu me lembro de vc, lá do Bar do Meio, do Linão, do Estorvo!
- É? Que lindo! Desculpa, mas eu não lembro de vc! Tira o chapéu.
- Tudo bem, eu era só um piá de 20 anos naquela época.
- Qtos anos vc tem?
- 36.
- Pow, mas vc é quase tão velho qto eu! Mas então o Lino's agora é na Barreirinha, né?
- Agora não, é lá desde 2007, acho.
- Então, agora.
------
- Rabo de galo é o que com o quê mesmo?
----
- Moço, o que é essa coisa vermelha?
- Grenadine.
- E Grenadine é o q?
---
- Odeio esses caras paulistanos que fazem com que eu me ache uma caipira.
----
- Oi. Eu não te conheço do Lux?
---
- Eu não vivo bêbada 24 h por dia. É que sempre que vc me encontra, eu estou assim. Eu falo isso há anos?
---
- Eu não lembro da Lu e vc não lembra de Ilhéus, que é muito mais recente.
- Ah é, acho que a gente já teve essa conversa. Será que na próxima eu vou ter esquecido de novo?
----
- E porque vc não foi morar em Curitiba? Curitiba é muito rock, está muito mais rock que SP.
- Não dá, Curitiba é perto demais de muita gente.
- Tati, sabe o que vc precisa fazer?
- Hã.
- Ir nos shows.
-----
Descobri que a tarracha que eu estava procurando não existe. Achei o tic tac que eu tinha perdido dentro da minha bota.
DÉCADAS
| Clube Berlim |
21h30: Estou velha, sou a pessoa mais dissonante desse lugar aqui. Acho que vou deixar um bilhete para ele falando que tive que ir embora. Mas não, né? Já basta quando o Vlad foi tocar lá em Salvador e eu não fui vê-lo porque estava deprimida. Não vou fazer a mesma sacanagem com outro amigo.
05h00: Nossa, nem estou preocupada com a janela do meu vizinho!
09/07/2009
H2OLHOS
Ao chegarmos no Parque, Sandra falou: "vamos beber uma água?". Claro, só se pensa nisso, com umidade relativa de 49%. Eu já estava pegando minha carteira para logicamente comprar uma aguinha, quando nos deparamos com um... bebedouro! Da CAESB. Dili!
Uhú, me senti no Central Park. Gente tomando sol, que moderno! Minha irmã falou que menos, que basta ir ao Parque da Cidade que isso é comum.
Em mais um reencontro, fui com Dona Sandra Bittencourt caminhar no Parque Olhos d'Água. Quatro voltinhas a pé. Quinze voltinhas no tempo, que parou e não passou, mas passou e continuou nos deixando lindas, risonhas e engraçadíssimas.
Ela lembrava de taaaaaanta coisa que eu não lembrava! Impressionante como existem fatos que ficam na memória dos outros. Acho que essas amizades de adolescência, essas quando uma conhece a família da outra, que foge junto do colégio, que dorme na casa da outra, que inventa mentira ou descobre as verdades juntas... Essas coisas marcam, e são marcas boas.
Às vezes fico pensando que virei a mais careta de todas minhas amigas. Ou de um bando delas. Ou talvez a minha "loucura" tenha me dado lucidez para chutar o balde na hora certa, enquanto a "caretice" delas as fez aguentarem coisas tipo dez anos de um casamento no way.
Por isso, eu me acho muito certinha. Não ter filhos me deu essa mobilidade, essa independência, me possibilitou tomar com mais rapidez decisões que outras mulheres demoram mais para amadurecer - há mais coisas em jogo.
Claro que existem ônus nessa minha decisão, mas acho que o tempo em que eles mais pesaram já se passou. Casamento eu também não sei se é para mim, ao menos não nos moldes de muitos dos que ouço relatos - inclusive dos dois que tive - que foram desfeitos justamente por isso.
Pensando bem, nada melhor para se renovar com a solteirice do que se lembrar de como pode ser árdua a vida de uma pessoa mal acompanhada. Quero leveza! Se for sozinha, beleza! Acompanhada, melhor. Mas leve!
Ela lembrava de taaaaaanta coisa que eu não lembrava! Impressionante como existem fatos que ficam na memória dos outros. Acho que essas amizades de adolescência, essas quando uma conhece a família da outra, que foge junto do colégio, que dorme na casa da outra, que inventa mentira ou descobre as verdades juntas... Essas coisas marcam, e são marcas boas.
Às vezes fico pensando que virei a mais careta de todas minhas amigas. Ou de um bando delas. Ou talvez a minha "loucura" tenha me dado lucidez para chutar o balde na hora certa, enquanto a "caretice" delas as fez aguentarem coisas tipo dez anos de um casamento no way.
Por isso, eu me acho muito certinha. Não ter filhos me deu essa mobilidade, essa independência, me possibilitou tomar com mais rapidez decisões que outras mulheres demoram mais para amadurecer - há mais coisas em jogo.
Claro que existem ônus nessa minha decisão, mas acho que o tempo em que eles mais pesaram já se passou. Casamento eu também não sei se é para mim, ao menos não nos moldes de muitos dos que ouço relatos - inclusive dos dois que tive - que foram desfeitos justamente por isso.
Pensando bem, nada melhor para se renovar com a solteirice do que se lembrar de como pode ser árdua a vida de uma pessoa mal acompanhada. Quero leveza! Se for sozinha, beleza! Acompanhada, melhor. Mas leve!
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03/04/2009
INDEPENDENTE FUTEBOL CLUBE
Riot Revolver, banda onde tocam dois filhos do Tupan. Achei um a cara e o jeito dele e o outro a cara da Débora, a mãe.
Fui a dois dias do Curitiba Calling. Acho importantíssimo Curitiba ter se firmado como uma cidade rock, e sinto orgulho de ter amigos que batalharam e continuam batalhando por isso. Lembro de como eu ficava feliz por ter um lugar como o 92 para ir, quando ele era ainda na Visconde do Rio Branco, e como eu agradecia, emocionada (e bêbada) ao Júnior por ele ter garra para manter o lugar aberto, não obstante todas as guerras de alvará com a prefeitura, as reclamações dos vizinhos e as agruras próprias do negócio, como investir em bandas desconhecidas, bancar festivais, trazer bandas gringas e ter um selo.
Mas decididamente eu não tenho mais paciência para fazer parte de tudo isso como expectadora. Acho chato ir aos shows, acho velho ver um monte de gente com os mesmos comportamentos. Ai, que coisa chata repetir as mesmas coisas de 15, 20 anos atrás! Claro, eu gostei porque marquei de me encontrar com pessoas que não via há muito tempo, e não as censuro, ao contrário, as admiro por estarem no circuito. Mas para elas faz sentido, é a profissão delas, elas estão trabalhando e mais que isso, formando um cenário cultural pelo qual elas batalharam anos (décadas). E percebi que as que tocam vão embora logo após o show (tb, né, têm 40 anos nas costas e não foram para a balada, foram trabalhar).
O que me deixa sem saco é aquele ambiente enfumaçado, as pessoas bebendo uma cerveja atrás da outra, dançando um pouco autômatas, é algo que não faz sentido mais para mim. É uma alegria um pouco débil, eu de certa forma me enxergo e me vejo há cinco, dez anos atrás, de certa forma me vejo como fui a vida inteira e não me encaixo mais nesse padrão.
Acho aborrecido ter que gritar para ser ouvida, ter que pedir para a outra pessoa repetir o que acabou de falar para que eu a entenda. Ter que ficar em pé a noite inteira. Ter a bebida servida num copo plástico. Olhar em volta e ver um monte de gente com camiseta de banda. Cara, alguém tem alguma novidade para me apresentar?
Falando em novidades, o Norberto sempre apresenta alguma. Pena que no dia do show dele eu estivesse tão desanimada e quisesse ir embora tão rapidamente. Não tirei nenhuma foto do Easy Players, mas a banda é maravilhosamente intimista. Só achei que eles estavam no lugar errado, que as pessoas estavam muito mais interessadas em ingerir fumaça e álcool e ficar no blábláblá com suas conversinhas moles e bêbadas, ao invés de se concentrarem verdadeiramente na banda. Deve ser chatice minha. Mas eu achei que num outro lugar ou com um outro público eles causariam mais impacto. Que seria merecido.
A camisa do Norberto era algo entre o quadriculado e o calçadão de Copacabana. Eu nunca havia pensado numa transição entre as duas coisas.
Tive tanto sono nesse primeiro dia de Festival que só fui no segundo não porque já tinha comprado os ingressos antecipadamente (até para a Luana, que recusou a cortesia sem dó nem piedade), mas porque eu já havia combinado com a Marize, e não se fura trato feito com amiga).
O rock continua bom, eu tb, mas não precisamos estar necessariamente colados. Isso é um relação moderna, baby!
Mas decididamente eu não tenho mais paciência para fazer parte de tudo isso como expectadora. Acho chato ir aos shows, acho velho ver um monte de gente com os mesmos comportamentos. Ai, que coisa chata repetir as mesmas coisas de 15, 20 anos atrás! Claro, eu gostei porque marquei de me encontrar com pessoas que não via há muito tempo, e não as censuro, ao contrário, as admiro por estarem no circuito. Mas para elas faz sentido, é a profissão delas, elas estão trabalhando e mais que isso, formando um cenário cultural pelo qual elas batalharam anos (décadas). E percebi que as que tocam vão embora logo após o show (tb, né, têm 40 anos nas costas e não foram para a balada, foram trabalhar).
O que me deixa sem saco é aquele ambiente enfumaçado, as pessoas bebendo uma cerveja atrás da outra, dançando um pouco autômatas, é algo que não faz sentido mais para mim. É uma alegria um pouco débil, eu de certa forma me enxergo e me vejo há cinco, dez anos atrás, de certa forma me vejo como fui a vida inteira e não me encaixo mais nesse padrão.
Acho aborrecido ter que gritar para ser ouvida, ter que pedir para a outra pessoa repetir o que acabou de falar para que eu a entenda. Ter que ficar em pé a noite inteira. Ter a bebida servida num copo plástico. Olhar em volta e ver um monte de gente com camiseta de banda. Cara, alguém tem alguma novidade para me apresentar?
Falando em novidades, o Norberto sempre apresenta alguma. Pena que no dia do show dele eu estivesse tão desanimada e quisesse ir embora tão rapidamente. Não tirei nenhuma foto do Easy Players, mas a banda é maravilhosamente intimista. Só achei que eles estavam no lugar errado, que as pessoas estavam muito mais interessadas em ingerir fumaça e álcool e ficar no blábláblá com suas conversinhas moles e bêbadas, ao invés de se concentrarem verdadeiramente na banda. Deve ser chatice minha. Mas eu achei que num outro lugar ou com um outro público eles causariam mais impacto. Que seria merecido.
A camisa do Norberto era algo entre o quadriculado e o calçadão de Copacabana. Eu nunca havia pensado numa transição entre as duas coisas.
Tive tanto sono nesse primeiro dia de Festival que só fui no segundo não porque já tinha comprado os ingressos antecipadamente (até para a Luana, que recusou a cortesia sem dó nem piedade), mas porque eu já havia combinado com a Marize, e não se fura trato feito com amiga).
O rock continua bom, eu tb, mas não precisamos estar necessariamente colados. Isso é um relação moderna, baby!
04/08/2008
DESSEMELHANTE
Bem, eu só faço certos passeios nessa cidade quando vêm amigos meus de fora. Fui com a Luana, Helena e Henrique ao Pelourinho, Mercado Modelo e Solar do Unhão.
A miséria assola a cidade. Tudo decadente. O Pelourinho é bem menos pior de dia que de noite, dá até para passear e sentir um pouco a beleza do lugar. Se vc não quer passar vergonha, não ande no Pelourinho comigo. Porque vergonha, vergonha mesmo, é vc não poder andar em paz pelas ruas, que já vem uma pessoa querer amarrar uma fitinha do Bonfim no pulso.
O Pelourinho é realmente bonito. Mais bonito nas fotos, que não levam a aura demente dos seus frequentadores. Não revelam o turismo sexual, a prostituição, as drogas, o vício, a pobreza, o conformismo, o roubo, a violência. Revelam apenas pessoas felizes, sorrindo ao lado dos monumentos históricos. Então, que assim seja.
A miséria assola a cidade. Tudo decadente. O Pelourinho é bem menos pior de dia que de noite, dá até para passear e sentir um pouco a beleza do lugar. Se vc não quer passar vergonha, não ande no Pelourinho comigo. Porque vergonha, vergonha mesmo, é vc não poder andar em paz pelas ruas, que já vem uma pessoa querer amarrar uma fitinha do Bonfim no pulso.
Logo para cima de moá, camarada? Não vou aguento papinho de "Sorria, vc está na Bahia". Tirando isso, é fantástico poder encontrar com batuques a qualquer hora. Dá até para esquecer que esses mesmos batuques foram o pretexto utilizado para essa massificação cultural que assola a velha Bahia.
O Pelourinho é realmente bonito. Mais bonito nas fotos, que não levam a aura demente dos seus frequentadores. Não revelam o turismo sexual, a prostituição, as drogas, o vício, a pobreza, o conformismo, o roubo, a violência. Revelam apenas pessoas felizes, sorrindo ao lado dos monumentos históricos. Então, que assim seja.
Na Sorveteria Cubana, disputamos espaço com os turistas de excursão. Não entendo como alguém pode fazer um turismo desses, comandado por uma pessoa que usa apito. Hora para chegar, hora para sair. E caros. Os caras têm a manha de cobrar trintão por cabeça para quem está fora dos pacotes andar num buzão. De dois andares, mas buzão, com hora para subir, hora para descer.
Continuando o passeio, descemos o Lacerda e fomos ao Mercado Modelo. Vontade de comprar mil toalhas de mesa coloridas, mas graças a Deus eu estava sem dinheiro. De lá, a pé para o Solar do Unhão - que abriga o Museu de Arte Moderna da Bahia.
Aí a gente entende porque a Bahia é como é. É linda, mas não funciona. Tipo um cara com jeito de gostosão, mas brocha. O MAM brochou. Fui mostrar uma boa vista do pôr-do-sol para as crianças, mas não pudemos passar uma cordinha com uns cones. Um segurança com uma camiseta escrito "Pitta" nos impediu. Informou que haveria um show a partir das 19h. Eram cinco da tarde, e não adiantou eu falar que não tinha nenhum interesse em ficar lá para o show (que aliás devia ser uma bosta). O imbecil achou que eu ia, com aquelas duas crianças, ficar mofando lá por duas horas? Que era golpe?
Parabéns ao Governo Jacques Wagner e ao grande Secretário Márcio Meirelles que conseguiram privatizar um dos poucos espaços agradáveis da cidade. Mostrar o Parque das Esculturas para eles? Não pode, porque estava fechado. Mostrar a escada de madeira projetada por Lina Bo Bardi? Tb não pode, porque está fechado.
Oxi, mas o MAM não tinha ficado fechado em julho de 2007 para reformas? Estaria eu fazendo confusão? Nãããõ, meus amigos. Sorriam. E continuem votando nos moderninhos, nos engajados.
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Salvador
23/06/2008
ACENDE A FOGUEIRA DO MEU CORAÇÃO
Ontem eu fui ao show do Alceu Valença no São João do Pelourinho. Ainda bem que a Anna tb queria ir, porque eu já estava tão entediada de ficar trancada em casa há dias que pensei até em ir sozinha.
Realmente, é outro mundo. É impresisonante como aqui em Salvador as camadas sociais não se misturam. Estávamos lá, nós, no meio de um mundo que eu, pelo menos, desconheço. É o mundo real. O mundo de pessoas de bem, sérias, honestas, trabalhadoras, humildes. Que dançavam forrózinho chamegado com seus maridos, seus namorados, seus amores. Que cantavam junto com Alceu todas as músicas das quais eu sei a letra de trás para frente e de frente para trás.
Mas são pessoas com as quais eu não convivo. Todas estavam enfeitadas, bonitas para a festa. Com suas roupas compradas em lojas populares, e não por isso menos bonitas que o meu vestido caro e minhas pulseiras novas.
Fiquei, assim, comparando no que seria a felicidade. Eu estava lá feliz por estar no meio daquela gente. Por eu estar assistindo um show do Alceu doze, quinze anos depois do show dele que vi lá em Antonina.
Sim, aquele show em que fui sozinha passar a noite no Festival de Inverno. Aquele show onde não encontrei nenhum dos quinze mil amigos que eu esperava encontrar (ora, alguém não havia dito que a vida era uma festa?) e acabei dormindo num alojamento de estudantes que eu nem conhecia, coberta apenas com meu casaco, depois de ter sido umas das únicas que ficou vendo o show sem guarda-chuva.
Fiquei, assim, comparando no que seria a felicidade. Eu estava lá feliz por estar no meio daquela gente. Por eu estar assistindo um show do Alceu doze, quinze anos depois do show dele que vi lá em Antonina.
Sim, aquele show em que fui sozinha passar a noite no Festival de Inverno. Aquele show onde não encontrei nenhum dos quinze mil amigos que eu esperava encontrar (ora, alguém não havia dito que a vida era uma festa?) e acabei dormindo num alojamento de estudantes que eu nem conhecia, coberta apenas com meu casaco, depois de ter sido umas das únicas que ficou vendo o show sem guarda-chuva.
Agora eu estava num show do mesmo cara, e estava simplesmente sendo bom. As coisas não precisam ser espetaculares - expectativa gera sofrimento. Podem simplesmente ser.
E assim, fiquei satisfeita por estar com uma amiga querida, numa noite tranquila.
O meu telefone foi roubado, mas é porque dei mole - fiquei cuidando demais da minha bolsa, mas esqueci que ela tinha uma bolsinha externa, onde eu, espertamente, deixei o celular.
Ah, e no telão, em vez do Alceu, algumas vezes aparecia o Governador dando uma entrevista que a gente - graças a Deus - não ouvia. Mas eu via Alceu lá no palco, pequeninho, olhava pro telão para ver se via algum detalhe.... E tinha o desprazer de ver JW se aproveitando da festa para incutir, nada sutilmente, sua imagem na mente dos eleitores.
E assim, fiquei satisfeita por estar com uma amiga querida, numa noite tranquila.
O meu telefone foi roubado, mas é porque dei mole - fiquei cuidando demais da minha bolsa, mas esqueci que ela tinha uma bolsinha externa, onde eu, espertamente, deixei o celular.
Ah, e no telão, em vez do Alceu, algumas vezes aparecia o Governador dando uma entrevista que a gente - graças a Deus - não ouvia. Mas eu via Alceu lá no palco, pequeninho, olhava pro telão para ver se via algum detalhe.... E tinha o desprazer de ver JW se aproveitando da festa para incutir, nada sutilmente, sua imagem na mente dos eleitores.
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