Mostrando postagens com marcador Rio de Janeiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rio de Janeiro. Mostrar todas as postagens

06/02/2008

CELEBRATION

Uma das inúmeras lindas e felizes crianças fantasiadas no Bloco (as fotos do celular, que já eram ruins, agora "deram" para sair pequeninhas)
No último dia de Carnaval, fui ao Bagunça meu Coreto, bloco tranquilinho que saiu lá da Praça São Salvador, perto do Largo do Machado. Depois de andar pelo caminho errado, apesar de estar com o mapa na mão (pois eu acho bonito o nome das ruas - rua das Laranjeiras - e cismei que era por lá), encontrei com a Marilene e seus amigos e ficamos lá na concentração esperando os músicos saírem.

Novamente, aquele clima gostoso com a presença bem despretenciosa de pessoas simplesmente a fim de se divertir. As ruas amplamente arborizadas e os prédios antigos, construídos lá pelos anos 40, ajudavam a compor um cenário muitíssimo agradável. Fantasias hilárias, muitas crianças, todo mundo respeitando o espaço comum e o alheio.

Andar acompanhando o Bloco requer que se esteja imbuído do espírito carnavalesco, coisa que definitivamente, não é a minha cara. Gosto de olhar como curiosidade, gosto de ver a alegria das pessoas e como aqui no Rio, ao menos nos Blocos, elas se divertem de maneira infinitamente menos excludente e violenta que em Salvador, por exemplo.

Agora, ficar cantando as músicas sem quase nem ouví-las não é coisa que me anime muito. É diferente de estar, como no "Flor Serena", assistindo ao espetáculo de uma orquestra, e interagindo como platéia. É ouvir um "paticum" lá na frente e ficar andando devagarinho cantando uns pedaços de música que eu, no caso, nem conhecia direito.

Para quem cresceu fazendo isso, espera o ano inteiro para o bloco passar, curte, sei lá, deve ser como ir a um show de rock, deve ser legal. Se bem que nem para show de rock eu tenho paciência, aliás é uma das coisas que tenho menos paciência hoje em dia. Enfim, cada um que vá onde bem lhe convier, mas eu já estava ficando agoniada lá atrás daquele bloco, pensava: "será que não dá para andarem um pouquinho mais rápido?".

Ao mesmo tempo, tinha noção da inconveniência do meu pensamento, era como se fosse um executivo engravatado no meio de uma praia - nada a ver, relaxe, rapaz. O pensamento voava e eu deixava me envolver pela magia das cores, dos sorrisos, da gentileza das pessoas, da capacidade de festejar.

Depois, eu lembrava dos meus tempos de punk (e quem disse que eles passaram?) e que eu achava Carnaval uma alienação, uma perda de tempo, quatro dias para esquecer trezentos e sessenta e um, energia gasta em festa quando podia estar se fazendo uma revolução etc etc etc. Porém, apesar da lembrança, naquela hora, isso tudo estava muito tênue para mim. Não achava verdadeiramente aquelas pessoas alienadas.

Ao contrário do que diziam os meus ex-chefes, até que eu não sou tão radical assim, né? Se fosse, não teria mudado nada nesses 25 anos e estaria lá com a bandeira preta do anarquismo, protestando por estarem em festa enquanto (e apesar do) planeta estar morrendo de fome, sede e de vergonha.

No entanto, que se dance. Que se cante, que se celebre! A comemoração é legítima, assim como o protesto. O que interessa é o modo como se faz.

05/02/2008

A FLOR DO SERENO


Foto: Silvana Marques, fotógrafa oficial do Rancho

Ontem, sem dúvida minha melhor programação do Carnaval: fui ver o Rancho Flor do Sereno. Como diria um carioca da gema, que categoria! Rapaz, é de deixar o sujeito boquiaberto com tanta coisa boa acontecendo ali, assim, na sua frente, na rua, espontaneamente, com público, empolgação, integração e o que parece ser mais raro hoje em dia, mas aqui no Rio parece não ser artigo tão de luxo: boa música.
São 20 músicos de primeira (músico mesmo, que lê partitura e tudo mais, uns professores de Universidade, outros estudiosos, sem aquela pecha de intelectual, mas gente de gabarito, não essas porras que não sabem nem falar o português, não têm ouvido para porra nenhuma, acham que o negócio é subir no trio e cantar Vixe Mainha).
Como todo músico tem o público que merece (ou seria o contrário?), a platéia estava repleta de gente feliz, bonita, jovens, velhos, fantasiados, à paisana, mas todo mundo de bem. Impressionante como a juventude gosta, entende, conhece e vibra ao ouvir não só as marchinhas mais manjadas, mas todo o repertório do Rancho, que passa por Noel Rosa, Pixinguinha, polcas, sambas e maxixes.
Isso é cultura, é gente que lê, que tem educação, senso, discernimento, que não confunde diversão com baixaria, que preza a diversidade, a inclusão. O oposto do perfil do carnaval em Salvador, por exemplo. O oposto da vulgaridade.
Sim, é claro que aí eu só posso gostar. Meio perplexa ainda, primeiro por eu estar no meio daquilo tudo. Não sou a foliã mais animada do mundo. Aliás, nem me consideraria uma foliã, e sim uma observadora. Quase uma participante.
Muitas músicas boas, muitas. Isso me rendeu a festa. Além de algumas elocubrações ao ver os casais apaixonados. "Será que ainda vou me apaixonar por alguém dessa maneira?". Ver esse Carnaval no Rio é como ver um pedacinho da vida novamente. De uma vida que não é a Bahia, que não é o meu trabalho, que não é a minha família. Tipo: há vida inteligente lá fora, Tatiana.
Ao mesmo tempo, é me deparar com isso - comigo mesma - em alguns momentos. Observar o lá fora remete-me a mim mesma. Tudo bem, não quero fugir disto. Em suma, sei que essa fase que estou atravessando é uma das que estou (som na caixa!) "sensível demais"...
A orquestra em ação




Estar na rua, ver as cores, ouvir os sons, sentir os sabores e metabolizar tudo isso por aqui tem valido muito a pena.

03/02/2008

SABADÃO

Saara

Sábado de manhã fui no Saara porque eu queria porque queria comprar um turbante de baiana. Tudo é uma nova sensação, desde os camelôs que vendem vestidos falsificados da Farm até entrar na abarrotadíssima Casa Turuna, onde o tal do chapéu de Carmem Miranda (não era bem isso que eu queria, mas podia até ser) custava a partir de R$110,00. Mas tinham outras coisas baratas, o que é melhor: um monte de cartolas inacabadas, para customizar. Aliás, como existem chapéus à venda no Rio! Que maravilha! Em Salvador, só se acham bonés ou chapéu de praia. Aqui não, é uma variedade imensa, para minha alegria.

Depois da maior bateção de perna volto à Copacabana para complementar as compras. Enfim, o turbante sai por R$ 4,00 (dois metros e meio de morim). 
Ai!
Finalmente, volto para casa para deixar as compras, tomar um banho e fazar a produ de baiana. O vestido, o turbante, a maquiagem. Já são cinco e meia da tarde. Os blocos já saíram, e eu preciso escolher se eu vou n' Os Barbas ou na Banda de Ipanema. E eu andei o dia todo. Ai que preguiça. Hum, Carnaval são vários dias, né? Por que fazer hoje o que eu posso deixar para amanhã?

E assim fiquei bem feliz da vida descansando.

02/02/2008

O FEITIÇO DA VILA

Para não dizerem que só fico na Zona Sul, ontem fui com minha grande amiga Marila para o bloco Eu sou Eu, Jacaré é Bicho d'água, em Vila Isabel. Foi muito bom, porque ficamos sentadas, podendo conversar e ouvindo marchinhas e sambas antigos num clima onde cada um curtia a sua, todo mundo se misturava com respeito ao espaço do outro.

Confete, serpentina, velho, moço, criança, um monte de gente fantasiada, cantando, dançando, pulando, bebendo - não é coisa de santo, mas é calmo, ou seja, quem quer curtir, curte, quem quer ficar na sua, fica. O massa é que as pessoas se fantasiam. Não tem os abadás de Salvador, ou seja, todo mundo uniformizado, igualzinho, massificado. É coisa espontânea, de rua, que vem ressurgindo no Rio nos últimos anos. Carnavalzinho assim eu até encaro.

01/02/2008

DE JANEIRO

Mural na Estação de Metrô Siqueira Campos, em Copacabana. Foto escura, de celular. Inscrições: letra de "Tem mais samba", de Chico Buarque (1964) - Para o musical Balanço de Orfeu, de Luiz Vergueiro:
Tem mais samba no encontro que na espera
Tem mais samba a maldade que a ferida
Tem mais samba no porto que na vela
Tem mais samba o perdão que a despedida
Tem mais samba nas mãos do que nos olhos
Tem mais samba no chão do que na lua
Tem mais samba no homem que trabalha
Tem mais samba no som que vem da rua
Tem mais samba no peito de quem chora
Tem mais samba no pranto de quem vê
Que o bom samba não tem lugar nem hora
O coração de fora
Samba sem querer

Vem que passa
Teu sofrer
Se todo mundo sambasse
Seria tão fácil viver

Divisa de Ipanema e Leblon - Av. Borges de Medeiros. Ao fundo, os Morros Dois Irmãos.


O cúmulo do charme, na Visconde de Pirajá os canteiros das árvores não são forrados de pedrinhas - e sim de... conchinhas!!!

Isso que é cidade! Salvador fica tão.. tão... tão o que é, perto do Rio... um arremedo de cidade, uma tentativa de cosmópolis... E assim passei a manhã, meio revoltadinha ainda, tentando digerir tantas diferenças, tantas dificuldades pelas quais têm-se que passar naquele esboço de urbis chamado Soterópolis. Que pólis que nada.
No Rio "tu" acha tudo bem à mão. Tudo bem sortido, colorido e barato. Barato pela qualidade, pela diversidade, pelo estilo, pela amplitude de escolha, pela distribuição da oferta, pela competitividade do mercado.
As pessoas andam nos bairros, e estes são providos de comércio. Não é aquela coisa idiota de depender de carro, carro, carro, de precisar fazer tudo de carro. Então, a cidade tem vida. E é bonita. Não tem só gente feia e pobre nas ruas, tem gente interessante, as pessoas se misturam muito mais.
Está certo que estou na Zona Sul, mas se eu fosse no equivalente à Zona Sul de Salvador, só quem eu veria andando na rua seriam as empregadas domésticas, porque os bacanas só andam de carro, não andam nas ruas.
Aqui se vê todo o tipo de comércio na rua, à toda hora. Das deliciosas lojas de roupa que fui correndo ver lá em Ipanema até as quitandas cheias de frutas penduradas, botequins que fazem boas refeições por 5 pilas, floriculturas, chaveiros, lojas de ferragens, enfim, tudo misturado.
Existem muitas galerias com lojinhas interessantes, sebos, antiquários, coisas para a casa... Elas têm mais ou menos a cara do Copan, mas é como se fosse um Copan colorido, numa terra de calor, com pessoas mais desinibidas e mais tranquilas.
Certamente se eu tivesse sempre morado no Sul e tivesse caído direto aqui no Rio, iria estranhar muito. Mas depois desses anos de Brasília e Bahia, minha relação com o clima e com a cores mudou completamente, então me sinto totalmente à vontade com o "modo carioca de ser", o tipo que vejo na rua é um tipo com o qual me identifico, ao contrário do baiano. O paulista tenho achado tenso demais, São Paulo aquela coisa rock demais.
Gosto dessa coisa sol-vestido-colorido do Rio. Enquanto estou passeando sozinha, gosto. Vamos ver se a paz resiste ao Carnaval.

31/01/2008

OH RIO RIO DANCE ACROSS THE RIO GRANDE


No meio da pedra, uma rua chamada túnel (Foto de celular)

Enquanto passeio pela rua, fica cantarolando: rua Nascimento Silva, cento e sete, você ensinando para a Elisete as canções de Canções do Amor Demais... Sempre que venho ao Rio fico com essa coisa fantasiosa, da Bossa Nova, imaginando a cidade e os moradores na minha cabeça, ouvindo o sotaque como se eu estivesse num lugar meio imaginário.

A primeira certeza: quero morar em Copacabana! Logo depois desfaço meu pensamento, pois às vezes um desejozinho assim à toa pode dar certo, e quando acontece de verdade pode nem ser tããão bom assim - vide o quanto eu desejava morar em Salvador.

Lamentos à parte, Copacana me engana, Copabacana, o som do bairro tamborila à toda hora na minha mente - como o próprio som da cidade, de suas ruas, da sensação de estar no ícone da brasilidade. Na minha visão, um ícone muito mais autêntico e pego na unha pelos cariocas, esses sim valentes, assumidos, firmes, fortes. Mas que fumam na rua, fumam!