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08/09/2011

...:SEM DESMONTE:...


Arquivo com abaixo-assinado em defesa do Código Florestal. É só imprimir (pode ser só a segunda folha) a matriz, fotocopiar as adicionais e mandar bala junto à sua família, amigos, comunidade, banda, balada, escola, trabalho... Em Curitiba, as folhas podem ser entregues na barraca do SOS Florestas na Boca Maldita (confirmem antes comigo, please).

09/10/2008

ALIANÇA FUTEBOL CLUBE


Continuo ficando DE CARITCHAS com a criatividade da galera nas coligas. O PPS de Soninha e o PV de Gabeira apoiam ou se coligam até com o demo. Literalmente falando, com o DEM. Respeito bastante os dois pessoalmente, principalmente o Gabeira. Embora ache que ele se equivoque em alguns aspectos, ainda o acho íntegro, mas realmente não confio no PV. Aquele PV dos anos 80, que nem era lá essas coisas, não existe mais. É mais um partidelho para onde vão as mais diversas tendências, é um partido sem identidade - e o pior, ultraja a palavra "verde" que carrega em seu nome.

Falando nos Verdes, eu soube que antes das eleiçoes foi lá na repartição - que é dirigida por eles - um candidato a vereador e entrou de sala em sala, panfletando. É engano meu ou isso é usar a máquina pública para obter alguma espécie da favorecimento? Se o canditado fosse do DEM (eca, eca), ele teria o acesso assim tãããão facilitado à sala dos servidores públicos que, afinal de contas, estão trabalhando, concentrados, e não querem receber vistinhas não solicitadas?

Aliás, vão implantar lá na repartis uma sistema de catracas, um não sei quê, com o pretexto de monitorar o fluxo de visitantes (mas vão monitorar é a peãozada aqui mesmo)... Não seria para impedir justamente esse tipo de coisa, que ao meu ver se configura num abuso? Afinal de contas, voto é uma coisa particular, apesar de ter um alcance coletivo. Se quisessem promover um debate com canditatos que tivessem propostas na área ambiental para a cidade, ou coisa que o valha, que o fizessem (se bem que eu du-vi-do que fizessem isso com a devida neutralidade). Mas franquear a entrada de um canditado, assim?

Isso me lembra muito a gestão passada, onde o diretores eram do DEM, quando um (bleargh) candidato à Câmara dos Deputados esteve por lá fazendo campanha e o Sinhozinho (era esse o apelido do então Diretor) ordenou que todos nós arrumássemos as mesas porque o tal canditado, que já tinha sido Secretário de Estado e Chefe do Sinhozinho ia passar de sala em sala.

Afortunadamente, eu não estava na repartis em nenhum desses dias. Na época do DEM tava viajando e na época dos Verdes, no médico. Melhor não ter havido esse encontro.

28/08/2008

CONCORRÊNCIA

Menino a cavalo, no município de Jaborandi (BA), 2003.

Táááá, mas o que eu queria dizer não era isso.... É que quando o cara foi sair para a inspeção, não tinha carro disponível. Hahaha, não tinha carro. Só oito. Mas os oito carros, e os oito motoristas que estavam lá, disponíveis, não podiam sair. É que são os carros e os motoristas dos Diretores.

Não faz mal que de fato só quem tenha direito a carro seja o diretor máximo da instituição, ou seja, 01 (um) carro e 01 (um) motorista. Nem que somando as outras diretorias, não se chegue ao número de sete. É que tem que contar chefe de gabinete, secretária, sei lá mais quem....

Agora, para fazer a inspeção, não tem carro, né? Sei...

A resposta para isso? Aquele ar de democratas e amigos dos peões: "ah, mas porque vc não me falou na hora, a gente providenciava um carro". As coisas arrumadas no jeitinho. Arrisca de vc achar que eles estão te fazendo um favor.

CARIMBADOR

Travessia do Barra/Xique-xique, 2003

O fato de eu estar total regimex, maquiagem, drenagem linfática, moda, roupas, não significa que emburreci. Estou cuidando de mim. Talvez até como um modo de pensar noutras coisas, já que gastar meus privilegiados neurônios com os absurdos que ocorrem na esfera maior, nacional, e na que me ronda, a repartição, me esgota muito.

Isso não quer dizer que eu fique passiva nem que eu seja omissa. Apenas estou numa fase em que ando preferindo não me importar. Não perder o sono. Não me irritar, não adquirir mais rugas, não entrar na disputa de poder. Não ter que ter razão. Não ter que provar minha inteligência, não ter que fazer nada além do que já faço. Continuar fazendo, o meu trabalho (e só ele), com a competência que sei que tenho. Quem quiser, veja.

Parafraseando a Tita, me esqueçam. Acho que já andam me esquecendo. É melhor. Não vou em reunião falar nada. Não preciso. Ontem, rolou uma denúncia para um colega de sala ir averiguar. Não era assim uma coisa suuuuper urgente, até mesmo porque as coisas andam tão caóticas que não se tem mais noção do que é prioridade ou não, tipo "vai lá ver o que está rolando". Dona Fulana sente um cheiro desagradável de não sei quê, que pode ser um produto químico.

Pode ser a capa plástica do fio de cobre que a galera rouba e queima para desencapar. Pode ser milhões de coisas. Quando a denúncia chega, o cheiro já passou. Tem a ver com a direção do vento na hora. Aí o técnico vai fazer o quê, molhar o dedo e colocar no vento? Ou usar bola de cristal para saber o que aconteceu?

Claro que um órgão público precisa dar resposta à Dona Fulana, como cidadã. Mas o meu questionamento é: se um Órgão Estadual de Meio Ambiente, com a estrutura que tem, não pode se ocupar de ações mais robustas, como apertar as empresas que estão de fato contribuindo pesadamente para a poluição da Bahia de Todos os Santos, por exemplo. Aquelas, cujo nome a gente já está cansado de saber.

E deixar o cheiro da Dona Fulana para a Prefeitura resolver. E se ocupar de coisas maiores, como o monitoramento dos resíduos, emissões e efluentes, numa escala macro, incluindo inclusive as correntes marinhas e atmosféricas que passam na casa de Dona Fulana, Cicrana e Beltrana.

Não. Fica o Técnico sempre fazendo o varejo. O faz-tudo. Volta, diz no Relatório que nada foi possível de se constatar, arquiva-se. O trabalho vira um cartório.

31/05/2008

ALINHAVANDO

Eu e Evaldo na palestra sobre as Operações Planejadas (Fiscalização dos projetos de fomento florestal no Sul e extremo Sul da Bahia), para promotores do Ministério Público Estadual. Prado, maio de 2008.

13/04/2008

PERDIDOS NA SELVA


Mapa: SEI

Índio Suruí leva devastação da floresta ao Google

O Google está prestes a colocar na internet, com acesso aberto, mapas
detalhados da devastação na
floresta Amazônica. A iniciativa surgiu após um pedido de ajuda do líder
indígena Almir Suruí ao
Google Earth para mapear a terra de seu povo e, assim,
protegê-la do desmatamento.
A Terra Indígena Sete de Setembro fica no município de
Cacoal, em Rondônia.
Tanto pelo povo Suruí Paiter, de 1,2 mil habitantes, como pelo Google,
a iniciativa é considerada histórica.
"Podemos ver como as terras desses indígenas estão cercadas de
desmatamento", afirmou Rebecca Moore,
diretora de Programs do Google Earth. Amanhã, Almir falará sobre o assunto
em Londres - OESP, 9/4, Vida, p.A20.

Fonte: ISA

O Google Earth está substituindo o trabalho que era, por missão dos órgãos ambientais. Tsc, tsc. Bem feio ver que a gente não faz o que deveria fazer, aí outro vem e faz.

Na Operação em que estamos, por exemplo, ao invés de termos imagens atualizadas, para podermos comparar a cobertura vegetal atual com a pretérita, ter ajuda para calcular a Área de Preservação Permanente e de Reserva Legal das propriedades, enfim, ter um Sistema de Informações Geográficas realmente capaz de nos ajudar com os trabalhos de campo, temos o inverso.

Como qualquer leigo, ficamos dependendo do Google. Como diz o Dr. Sérgio Mendes, do NUMA/Ministério Público: "os infratores são organizados, nós não somos".

Para não dizer que não temos nada, temos: o Geobahia e o Geoflora. Mas como se comunicam, eu confesso não saber. Para mim, eles têm funcionalidade ZERO.

Por essas e outras que tenho pensado se realmente estou no trabalho certo.

12/04/2008

DANOS, ENGANOS

Flagra recentemente detectado

A fantasia das multas ambientais



Em 2 de abril de 2003, por lançar 1,2 bilhão de litros de resíduos
tóxicos nos rios Pomba e Paraíba do Sul, deixando cerca de 500 mil pessoas
sem água, a Indústria de Papel Cataguazes foi multada pelo Ibama em R$ 50
milhões. Passados cinco anos a multa ainda não foi paga. O caso Cataguazes
expõe a fantasia das infrações ambientais. Um levantamento revela que, nos
dez anos da lei, menos de 1% do valor total de multas administrativas
aplicadas pelos órgãos ambientais estaduais foi pago. No Ibama, a situação é
parecida: a União recebeu, desde 1998, apenas 10% das multas emitidas no
período. O percentual inclui os R$ 35 milhões pagos pela Petrobras devido ao
vazamento de óleo na Baía de Guanabara (RJ) em 2000 -

O Globo, 23/3, Rio, p.22 e 23.


O mau exemplo vem de cima

Apesar de terem o dever de garantir o respeito à legislação
ambiental, União, estado e municípios são réus recorrentes tanto na Justiça
federal quanto na estadual. Segundo um levantamento feito pelo Ministério
Público Federal, a União é recordista, figurando em sete ações civis públicas
e quatro populares, seguida da prefeitura do Rio, que acumula cinco ações
civis públicas e uma popular. A prefeitura figura também em cerca de mil
investigações sobre crime ambiental, de um total de duas mil, feitas pelo
Ministério Público estadual. Até órgãos de fiscalização não fogem à regra: o
Ibama responde a três ações civis públicas e a Feema, a duas ações civis
públicas e uma popular. Apesar dessa enxurrada de ações cíveis, casos
envolvendo o poder público raramente chegam à esfera criminal -


O Globo, 18/3, Rio, p.18.
Fonte: ISA

Em janeiro de 2007, escrevi sobre o valor das multas ambientais no rio dos Sinos. Entra ano, sai ano, sempre o mesmo engano, como já disseram alguns. É um dos desafios para quem trabalha com fiscalização ambiental, fazer com que o Auto de Infração não fique na gaveta do empreendedor mofando, e enquanto isso o dano não seja recuperado. Administrativamente as coisas emperram, às vezes por interesses contrários (qtas. multas deixaram de ser emitidas ou viraram Termo de Compromisso?) envolvidos no processo, ou até mesmo por desorganização e falta de pessoal nos órgãos ambientais.

Aqui, estamos trabalhando em parceria com o Núcleo Mata Atlântica - NUMA, do Ministério Público Estadual, para que os Autos tenham desdobramento civil e penal.

Mas quando eu leio notícias como as aí de cima, fico muito descrente! O resultado de sempre, meio ambiente relegado ao enésimo plano, e o trabalho de pessoas comprometidas jogado no lixo.

03/04/2008

DOCE COMO JILÓ

Mini melancia? Não, é jiló-selvagem, e me disseram que é muito doce. Mas só me disseram depois, e eu não havia pego nenhum de lembrança. No meio de pega-ponto anota-ponto tira-foto anota-foto, entra no carro, sai do carro, pega mapa, procura tabela, confabula com o companheiro de Equipe, consulta legislação, confabula de novo, NUNCA dá tempo de tirar foto das minhas coisinhas lindas.
_____
Poutz!!! Só a "esperta" aqui para acreditar (e postar, fascinada com a novidade) que o jiló-selvagem é doce. Fui toda feliz, no dia seguinte ao desta postagem original, arrancar uns dois ou três para levar para casa.
- Moça, faz isso não, é cheio de espinho, vc vai machucar a mão, disse-me o mateiro.
- Ai, mas é que eu queria levar uns, porque são doces.
- De onde vc tirou essa idéia, Tatiana? - pergunta-me justamente a pessoa que tinha me informado da candura dos frutos no dia anterior.
- Oxi, foi vc que me disse ontem... Eu até coloquei no meu blog....
E aí começa mais uma discussão infindável, como as que eu tinha no primário, quando os meninos me falavam uma coisa, e eu, além de acreditar, contava a novidade para todo mundo.
Os dias têm sido divertidos.

ESCALA INTERNACIONAL

Convenci meu companheiro de Equipe e o motorista a pararem na placa ("na volta vou parar, não importa se estivermos com fome ou cansados, ou marcados com mais gente, é só uma paradinha"), pois eu TINHA que provar que já estive em Barcelona

Não deu para fotografar todos os carrapichos porque no no mato a coisa é corrida, não dá tempo para fotos particulares. Tita, lá estava a botinha marrom prima da sua.

Ai. Hoje fizemos seis inspeções. Sim, sou ansiosa e sofri por antecipação pelas que vamos fazer amanhã, que será o primeiro dia quando marcamos inspeções de tarde.

30/03/2008

SAPATOS SUJOS


Peu, que tinha uma banda com Lefê, da qual eu não me lembro o nome (mas me lembro direitinho da capa do CD, com umas nadadoras), compôs uma música chamada "Sapatos Sujos". Se eu estivesse em casa, este post sairia mais redondinho, com a letra da música, que certamente eu ouviria enquanto escreveria e até mesmo as palavras seriam outras, bem como o rumo do texto.

O legal da letra, bem simples, é que por meio dos sapatos ela traça um paralelo com os caminhos que a gente fez até chegar no presente momento.

Sempre volto do mato bem suja. Sempre saio das coisas bem marcada, na verdade. Não consigo passar ilesa pelas situações e raramente elas também passam ilesas por mim. Se temos a capacidade de transformar as coisas, ainda que eu a use de forma incipiente, tresloucada, atravessada - na contramão do alegado bom senso, que assim seja.

Mas entrar no mato sem me sujar, isso não.

29/03/2008

ON THE ROAD

BR 101, proximidades do Parque Nacional Monte Pascoal, município de Itamaraju, BA

Em busca de Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente

Trabalho duro, mais uma vez. Tenho me questionado muitas coisas. Estou perto dos 40. Tem coisas que não cabem mais. Campo é muito bom. Inegavelmente, sou muito boa de campo. Em dupla, sou melhor ainda, se meu parceiro for bom, como é o caso. Tivemos uma boa afinação, no primeiro dia a dinâmica flui bem. Natural. Ele gosta de levantamento topográfico, geoprocessamento, é detalhista nos mapas. Fica manejando o GPS com gosto. Eu, levemente controladora e com mania de organização, fico com a ficha de campo, coisa que ele não faz questão ("anota vc, que tem a letra mais bonita"), e tiro as fotos. Anoto as Coordenadas e as fotos associadas a cada uma delas.

A questão é: paramos em todas as nascentes secas, todas as represas, medimos toda a área para estimar a largura do rio? Quando estou no campo, não consigo deixar passar. O caso é que demora, e a Chefia às vezes quer pressa. Eu já vi Chefe chamar o peão para fazer o trabalho melhor, nunca vi chefe chamar e falar: "escuta aqui, vc tá fazendo muito bem feito, tem que fazer mais matado"...

Por essas e outras que vejo que embora tenhamos um objetivo maior - apesar deste também estar se esvaindo em acordos e pressões, me sinto tolhida por ter discernimento, ter capacidade crítica além da média - que só quer fazer suas atribuições e olhe lá - e não ter capacidade alguma de decisão.

Tô ficando mais velha e não quero ser peoa a vida toda, não por ambição, por grana, por poder ou por dificuldade em cumprir ordens. Hoje vejo que é por ser capaz de ter uma visão mais apurada da situação, uma visão que talvez a estrutura paquidérmica do Estado não permita que os parasitas se afastem da máquina. Tenho procurado, ao menos imaginariamente, outras alternativas.

Enquanto isso não ocorre, trabalho com prazer, afinal amo o que faço e quando faço, modéstia às favas, faço bem. E já que estou na estrada, pé no acelerador e música no último volume. Gás não me falta!

11/03/2008

TRABALHO, ESSA COMPLICAÇÃO


Paisagem bucólica? Mas parece que estão tentando fazer um atracadouro por lá...


A cidade é a "praia dos mineiros" por ficar na divisa da BA com o ES. Aí não é a sua orla, é a baía. Tem muitos pescados, mas não deu para eu ir ao Mercado do Peixe - afinal, eu estava trabalhando.



Chegamos em cinco - nós quatro e o que tirou a foto - à Secretaria de Meio Ambiente, para dar uma olhada nos processos emitidos para a atividade de silvicultura.

Semana passada foi um trampo duro. O bom de estar em campo é que eu acostumo a acordar cedo. Quando chego na capital, já me acomodo. Lá não, acho que fico tão ansiosa com os horários, tirar tudo da mala, deixar as coisas prontas, separar documentos, rever papeladas, que cinco e meia, seis horas, pulo da cama.

São dois tipos de estresses diferentes. Tenho tentado medir e escolher. "Agora, vou para o campo; agora, volto para Salvador". Não sou bem eu que escolho, as coisas têm seu período para acontecer, cabe a mim no máximo decidir se vou viajar ou não. Das últimas vezes, quase não fui, num processo de ruptura total. Mas transigi, visto que sou uma candura de pessoa.

Desta vez, não me estressei muito, não quis mudar o mundo, e acho que essa minha própria ruptura anterior gerou um pouco de descompromisso com as coisas, e que aliviou um pouco a tensão. Outra coisa que ajudou muito foi ter ficado na casa da Flávia, com as crianças, respirando coisas boas, ao invés de ter ficado num hotel impessoal e maçante.

Mas é claro que o meu "descompromisso" é apenas momentâneo. Isso, porque, sem querer parecer presunçosa, eu realmente tenho iniciativa no trabalho, agilizo as coisas, tenho desenvoltura para falar com as pessoas. Além da minha franqueza, que se por muitas vezes me atrapalha, por outras me ajuda, então faz com que eu seja lembrada. Se comumente é para os dissabores, às vezes também é para as coisas se desenrolarem, e aí, se não tem a minha mão, sinto que algumas coisas não saem tão rápido.

Isso é "sopa no mel" (aliás, que expressão ridícula é essa - sopa no mel? - ninguém toma sopa com mel, , nem põe mel na sopa, enfim....) para a minha ansiedade. Tatiana é ansiosa e é requisitada? Deixa tudo nas costas dela, uai! Então, nessa viagem desacelerei um pouco, mas nos últimos dias já resolvi umas coisas - que se eu tivesse resolvido desde o início, não teriam se encavalado tanto.

Mas deixa estar, assim as pessoas talvez tenham chance de ver que não foram muito competentes.

O fato é que eu amo o que faço. Mesmo. Quando vou ao campo, ou quando estou, como hoje ou ontem, em contato direto com o Ministério Público, corre em mim um ímpeto, uma empolgação, uma fé, uma crença que as coisas vão dar certo, que serão resolvidas, que o meu trabalho está adiantando para algo e faz parte de uma coisa maior...

Mas quando vejo as pessoas envoltas em pilhas de papéis que não despacham por acharem que precisam corrigir todas as vírgulas, quando vejo assessores que nunca foram ao campo comandarem equipes inteiras, quando vejo as multas paradas por um, dois, cinco anos sem serem emitidas, quando vejo os filhos de coronéis galgando cargos na Secretaria do Meio Ambiente, quando vejo todos os "novos" Diretores saindo para se candidatarem, quando vejo que o MEU trabalho talvez só sirva para que os infratores façam acordo com meus chefes....

Aí me dá uma vontade de sair... Sair, sair. Assobiando, se eu fosse calma e dissimulada. Não sou, fui sair esse poço que jorra espontaneidade. Tenho um plano: pedir meus mil dias de férias, ficar em casa, escrevendo, terminar meu mestrado (será que dessa vez sai?)...

Só que essa minha alucinação de querer fazer tudo também quer aproveitar essa oportunidade de estar em campo fiscalizando. Então, penso: é só mais essa Operação. São dados importantíssimos, como eu não vou participar disso?

Agora, acho que é só mais essa mesmo. Que deve ir até junho, acho.

02/01/2008

E LA NAVE VA

O bichinho narigudo

Posando de alerta, mas morrendo de sono, às seis da matina

Um dos muitos desmatamentos na Serra do Timbó

Árvores? Para quê?

Flagrante de carregamento ilegal de madeira

O pouso, no pacato estádio de futebol de Amagosa - BA

Esses dias andei de helicóptero pela primeira vez. Cada vez que me perguntavam se eu já havia realizado um sobrevôo e eu respondia que não, eu não chegava a ficar constrangida, mas pensava: tenho que fazer. Desde 1997, quando eu trabalhava no Parque do Conduru, sentia na pele a impossibilidade de não ter essa ferramenta para poder monitorar o território.

Na época em que eu estava no licenciamento, novamente nunca fiz um sobrevôo. Cá para nós, eles sempre eram pagos pelas empresas, e muitas vezes substituíam as inspeções de campo, então eu nunca quis entrar nesse bolo. Sempre fiz as coisas da minha maneira - da mais difícil e trabalhosa, porém sem resquícios de desonestidade ou faltas de rigor técnico ou legal.

Agora não, conseguimos, por meio do esforço pessoal da Coordenação onde trabalho, o aluguel de uma aeronave para trabalhar. Que diferença! Antes, se vc queria ou precisava voar, vc era um fresco, estava inventando moda, afinal vc era um peão, e peão não tinha nada mais a fazer do que assinar as porras do papéis que eles queriam, além de se foder em campo, é claro.

Os técnicos que voavam nas inspeções não o faziam por terem argumentado com suas Coordenações, mas sim porque as empresas disponibilizavam o helicópetero, e via de regra o Coordenador sempre queria fazer média com a empresa, e quando possível reduzir o tempo de inspeção do técnico, para agilizar a expedição da licença. Em suma, tudo faz parte de um pacote de troca de gentilezas entre órgão ambiental e empresas, que inclui hospedagem paga para o técnico, embora este receba sua diária para tais despesas.

Foi por não concordar com estas e outras práticas que saí do Licenciamento.

Agora, na Fiscalização, tendo os dias muito felizes no CRA - se bem que meu início no Licenciamento também foi muito bom, porque eu aprendi muito e ainda não tinha descoberto em quantas armadilhas eu poderia cair - finalmente fiz meu primeiro sobrevôo.

Fomos para a região de Serra do Timbó, onde o desmatamento está atingindo níveis alarmantes. Aliada à pressão antrópica, a prioridade de conservação dos remanescentes florestais na região fizeram com que se formasse uma Base Ambiental, numa parceria entre o CRA, o Ministério Público Estadual, a Delegacia Ambiental da Polícia Civil , a Prefeitura de Amargosa e a ONG Centro Sapucaia, com o apoio do Projeto Corredores Ecológicos.

Neste sobrevôo, fomos fazer um reconhecimento da área e marcar as coordenadas e acessos das principais infrações na região, para então planejarmos uma operação por terra. Como eu sempre ouvia histórias de gente que passava mal no helicópero, tomei um Plasil antes, com receio de passar mal lá em cima e ter que pedir para descer.

O que eu não levei em conta é que quando tomo Plasil fico completamente mole. Assim, foi entrar no helicópetero e começar a ter sono. No começo, pensei que era porque eu havia acordado muito cedo - cinco da manhã. Mas depois, o sono não passava. Era para eu estar entusiasmada, mas eu só queria dormir.

Organização à toda. Uma fotografa, outra anota, outra tira o ponto. Eu anotava. O lápis escorregava. Carla - minha Coordenadora - falava: não é sete, Tati, é três. Ai, que vergonha. Eu entendia tudo, juro que entendia. Queria explicar para ela que não era por querer, que eu não era relapsa. Tentava prestar mais atenção. Presatava, não que eu não prestasse. Afinal, o que a gente via lá embaixo era tão grotesco que não tinha como ficar alheio. O que lamento é que eu não estava com toda a minha capacidade de raciocínio, por causa do Plasil!

Desmatamento? O primeiro, a gente fala: olha lá, pega a coordenada. Bizarro. No começo, pega Coordenada até de rocinha de mandioca. Depois, fica claro que tem que estabelecer uma metodologia. Claro que isso todo mundo sabe, mas quando tá lá em cima dá uma empolgação e a gente quer pegar coordenada de tudo. Besteira. Tem que otimizar o tempo da aeronave, que não é nada barato.

Foi impressionante o número de áreas sendo desmatadas no exato momento do vôo, e o carregamento de madeira tb. O interessante é que a galera sai correndo ao ver o helicópetro se aproximando, ou seja, eles têm perfeita noção que estão praticando um delito.

Depois de ver tanto desmatamento, lá de cima mesmo dá para fazer um diagnóstico entre a parte norte a a parte sul da Serra, as diferenças na dinâmica no uso e ocupação do solo - as ameaças mais preementes e as ações mais urgentes. Agora era voltar pro escritório, planejar e finalmente - graças às condições que finalmente foram disponibilizadas aos técnicos para exercerem eticamente suas funções - botar a mão na massa.

04/11/2007

LA BALSITA

Indo da Sta Cruz Cabrália para Belmonte. Cara, Belmonte é longe de onde eu estou. 130 km só de ida. E eu chego lá, tem um mooooonte de licenças para olhar, um monte. Não dá para fazer tudo num dia. Volta para Eunápolis. Ai. Vinte dias dormindo no hotel. Volta cinco para casa, mais vinte em campo de novo. Agora, quando durmo na minha cama, até estranho.

UMA BEIRA NO JEQUITINHONHA












Estava eu andando pelo Sul da Bahia, nessa minha jornada de prefeitura em prefeitura para dar uma olhada nas licenças emitidas para os plantios de Eucalipto. Tenho amado fazer esse trabalho, que na verdade é um pouco chato, mas é necessário e importantíssimo.

Então, entro na cidade de Itapebi.

Escolada em interior da Bahia do jeito que sou, já tendo sofrido muito com as mazelas sociais e ambientais de cada lugar visitado, já tendo chorado e me desesperado ao entrar em dezenas de cidades e me deparar inevitavelmente com o mesmo cenário, somente comprovei o habitual. Cidadezinha pequeninha, pobrezinha, feinha. Brinquei com o motorista, de um modo preconceituoso: "que bom que eu moro em Salvador".... Sendo que eu não acho bom, eu acho Salvador um cocô, imagine se eu morasse nessas cidades onde vou a trabalho... Aí a relatividade das coisas começa a te pegar. Mas não pode deixar pegar muito, senão se conforma com uma vida no meio do mato, como a que eu tive durante alguns anos, e quando vi, estava com uma vida que nada tinha a ver comigo.

Bom, mas voltemos a Itapebi. Como toda cidade, eu entro reclamando, mas na conversa com os Secretários de Meio Ambiente, sinto tanta realização... Tanta coisa a fazer, e em vez de pensar, como antes: "que droga, está tudo errado, que se dane tudo", eu penso, e tenho o discurso "vamos fazer juntos, essa é uma etapa do nosso trabalho". Essa é a diferença de ser sacaneada e de ser valorizada no trabalho. Estou sendo valorizada, e tenho que aproveitar, pois não sei o quanto isso dura.

Depois do trabalho feito, o Secretário foi me mostrar uma matinha onde quer fazer uma UC. Linda, mas o mais surpreendente não é isso. Atrás dela, à beira do Jequitinhonha, existe a cidade velha. Velha porque os moradores foram se mudando para o alto, e poucos ficaram na beira do rio. Uma pena! Ruas de paralelepípedo, praça com (dizem) a maior canoa do mundo, casario merecedor de conservação, um lugar onde dá vontade de andar, conversar com os poucos moradores que restaram, saber porque ficaram, como era antes...

Porque as pessoas se vão? Os lugares morrem, outros mais feios surgem, os que eram belos viram decadentes... Aquilo lá tem que ser revitalizado, virar roteiro turístico... Mas fazer o quê, se a galera que vem para a região (leia-se Porto Seguro) quer encher os cornos de cachaça e dançar axé espremido?

Enquanto isso, vou andando.

22/05/2007

PUNGUIS

Reunião (2007)

Res publica. Coisa pública. Dinheiro. Meu, seu. Carros quebrados, mais de 150.000 km rodados. Tem uma intrução normativa que diz que tem que devolver, mas quem segue isso? Quem planeja esse caos, esse mofo, esse paquiderme que virou o Estado?

Quem vai penalizar a antiga diretora, que deu um cargo para uma funcionária fantasma que é também dona de um bar badalado da cidade? Quem vai procurar saber porque havia um pagamento fixo de R$5.000,00/mês para arranjos de ikebana da Igreja Messiânica? Quem vai investigar o uso de vouchers de táxi para volta de festas de casamento? Quem vai prender o ladrão que roubou perto de R$100.000,00 em pequenos gastos? Quem vai demitir o cara que foi indicado por ele da informática? Quem vai botar a mão na consciência e pensar que não precisa gastar R$ 10.000,00 em canecas de alumínio para serem dadas de brinde na Semana de Meio Ambiente?

Ninguém, né? E eu, o que faço, já que não quero ficar (mais) nerbiosa?


21/03/2007

PASSA

Entonces. Ontem eu estava de noite em casa, e quando dei por mim, estava tranquila. Em paz. Realizada com meu dia, que não tinha tido nada de excepcional, mas afinal de contas, tinha sido um dia vivido.

Percebi, então, que muito do que sentia se devia a duas pessoas: meus colegas de sala. Dois Engenheiros Químicos, um com mais de 65 e outro com cerca de 55. Meu assunto com eles se desenrola de maneira natural durante o dia. Mortandade de peixes na BTS, venda da Ipiranga, a Lei que entrou em vigor e não está coberta por Decreto, a aposentadoria, o cara que não assumiu o Ministério da Agricultura...

Não concordo com eles em tudo em se tratando de meio ambiente, eles certamente concordam comigo menos ainda, mas são pessoas boas. E quando eu vejo estou sorrindo, fazendo gracinhas, sendo cordial. Enfim, estou fazendo algo diferente que estar trancada em casa chorando.

E quem participa comigo deste processo não são os grandes amores da minha vida. Não é a minha família, não são os homens a quem amei. Não são os amigos moderninhos, não são as bandas de rock, não é a cultura underground.

Quem está nessa sou eu, e pessoas simples estão me ajudando embora nem desconfiem disso.

03/01/2007

DIFICULIDADE

O Presidente está mesmo determinado a fazer o país crescer. Tenho mais um ano difícil pela frente, a não ser que mude meus padrões éticos e morais. Ou seja: tenho mais um ano difícil pela frente.

Como ele é o chefe de todos, e o chefe da Bahia é muito amigo do chefe de todos, e os chefes do puxadinho onde ganho o pão só serão chefes porque ajudaram o amigo do chefe de todos a ser chefe, a vida fácil da chefia significa vida difícil para mim.