4.12.11

RESTOS

Linha de trem na Barreirinha, Curitiba, PR


Comida de gente no prato do cachorro, comida de cachorro no prato de gente.

Cupins da afetividade destruíram o chão, sob o qual há apenas a dureza da rocha.

Tempestades emocionais carregaram para longe as telhas.


A porta do desafeto só abre com um faca travestida de maçaneta.


O jardim desprotegido é agora um pátio barrento.


O tapete do desamparo abriga a placenta canina.

Eu, antigo capacho, agora não abrigo nem compreensão.

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